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Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo: conheça o transtorno

No 2 de abril é comemorado o Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo. A data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007, com o objetivo de informar e incentivar o desenvolvimento de ações que promovam o diagnóstico correto, a inclusão social e a qualidade de vida a pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)

Mesmo não sendo uma condição rara – segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, uma a cada 54 crianças são autistas -, existem muitos mitos e dúvidas acerca do TEA. Desde sua criação, em maio de 2019, o Departamento de Inclusão do Clube Curitibano trabalha para incluir pessoas que estão no espectro do dia a dia das atividades esportivas, sociais e culturais ofertadas, e para informar os demais associados e colaboradores sobre o autismo.

Durante essa semana, a gerente do Departamento de Inclusão e psicopedagoga, Diva Benassi dos Santos, e a psicóloga Tatiana Dobrianskyj Weber, responderam algumas questões básicas sobre o transtorno. O material completo em vídeo está disponível no Instagram do Clube Curitibano.

O que é Autismo

Ao contrário do que muitos pensam, autismo não é uma doença. O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que influencia o funcionamento do cérebro da pessoa. Um cérebro “típico”, ou seja, não autista, se desenvolve a partir de “metas” de aprendizado determinados por idade. Uma criança com autismo, não alcança essas metas no período comum e desenvolve uma forma diferente de ver e reagir ao mundo.

É considerado um espectro porque as características do cérebro autista podem se manifestar em diferentes formas e intensidades. Formalmente as terapias e tratamentos são feitas a partir de três níveis, sendo que no 1 a pessoa precisa de menos suporte para o desenvolvimento, e no 3 ela precisa de mais intervenções. “Como é um transtorno que afeta a comunicação e a interação, eles não sabem viver no mundo, se socializar. Então as terapias funcionam para trabalhar os déficits e ensiná-los a conviver em sociedade”, explica Tatiana.

Os sinais do autismo

Por ser um transtorno do neurodesenvolvimento, é possível detectar o autismo na primeira infância da criança. Os traços vão desde dificuldade de interação com os pais até atrasos na comunicação. O diagnóstico é feito a partir de uma combinação de características, que podem se manifestar em maior ou menor intensidade:

  • Dificuldade de comunicação: atraso no desenvolvimento da fala;
  • Dificuldade de socialização: a criança prefere objetos a pessoas. Não faz contato visual, não sorri socialmente;
  • Comportamentos repetitivos: a criança que demanda uma rotina específica e faz os mesmos gestos repetidamente;
  • Sensibilidade sensorial: grande tolerância à dor, sensibilidade a sabores muito fortes e texturas diferentes (como areia e grama).

Antes de ser diagnosticada como autista, a criança precisa ser testada para descartar qualquer condição fisiológica. “Conhecemos um caso em que o bebê não respondia aos estímulos da mãe. Foi considerado autismo, mas descobrimos que na verdade ele era surdo”, conta a gerente do Departamento de Inclusão, Diva.

O diagnóstico

Diva e Tatiana indicam que, independente de ter o diagnóstico fechado ou não, quanto mais cedo iniciar a intervenção médica e terapêutica, melhor. O primeiro passo é identificar o déficit e buscar um tratamento para superá-lo. “Você consegue prevenir que o cérebro tenha certos vícios de comportamento. Por exemplo, se você ensina cedo para a criança a importância de se socializar, o prognóstico pode ser mais favorável”, explica Tatiana.

Uma das consequências de não identificar o déficit e atrasar o tratamento, é que o desenvolvimento e aprendizado da criança funciona de forma progressiva. “O atraso na fala, pode atrasar o processo de alfabetização. Tudo é base para o desenvolvimento das outras áreas”, explica Diva. Após a intervenção precoce, o diagnóstico fechado traz segurança por ter um protocolo de tratamento definido, previsibilidade de comportamentos e uma ampla gama de estudos e investigações médicas e neuropsicológicas para fazer com que a socialização da pessoa autista seja a mais efetiva possível.

Há uma cura para o autismo?

Por não ser uma doença, não há cura para o TEA. Da mesma forma que não é possível contrair autismo por fatores externos. A causa do autismo é multifatorial, sendo que, segundo a revista médica JAMA Network Open, cerca de 80% dos casos são hereditários. A distribuição dos outros 20% ainda não é exata, mas é dividida entre mutações genéticas novas e fatores ambientais.

Também não existe medicação para autismo. O transtorno pode acompanhar outras condições que demandam medicamentos, como variações de humor, Déficit de Atenção e Hiperatividade e distúrbio do sono. “As terapias comportamentais, fonoaudiológicas e ocupacionais ajudam a amenizar os déficits e sintomas para o sujeito ter mais facilidade de adaptação, mas a pessoa nunca deixa de ser autista”, explica Tatiana. “É impossível trocar a placa mãe do cérebro”, completa Diva.

É comum escutar que não existem adultos autistas, mas a verdade é que aqueles que não tiveram interferências no desenvolvimento cognitivo, integram a sociedade com naturalidade.  “E é bom lembrar que os adultos autistas de hoje em dia, cresceram numa época em que o autismo não era muito falado. Então muitos adultos ‘nível 1’ às vezes nunca foram diagnosticados”, conta Tatiana. Adultos que têm o cognitivo mais afetado muitas vezes são cuidados pela família ou foram institucionalizados, então são vistos com menos frequência no mercado de trabalho e em outros ambientes sociais.

A importância da inclusão 

A convivência de crianças com Transtorno do Espectro do Autismo e crianças típicas cria uma dinâmica de ganho para os dois lados. Enquanto a brincadeira possibilita o desenvolvimento da socialização das pessoas com TEA, segundo a psicóloga, as demais crianças podem criar um senso de responsabilidade e de trabalho em grupo: “Sem ser piegas, mas você vê a humanidade na sua forma mais pura. Com o tempo elas acolhem e comemoram cada vitória da criança com autismo. São pessoas se juntando para acolher aquele que não se encaixa, e isso é o mundo”.

No caso do ensino regular, a inclusão nas turmas vai depender do nível de autismo da criança. Autistas que não têm o cognitivo afetado, têm mais facilidade de acompanhar o desenvolvimento escolar e tiram proveito das aulas e da convivência. Crianças que têm o cognitivo abalado talvez se beneficiem mais em escolas próprias. “Os pais sempre ficam em dúvida em onde matricular. Eu respondo que enquanto a criança  estiver se beneficiando, aproveitando é um direito dela estar no ensino regular com as outras crianças. No momento em que ela não estiver mais, é importante repensar o tipo de educação”, explica Diva.

No caso do Clube, a inclusão é valorizada e incentivada em todos os ambientes, sejam nas aulas esportivas ou nas atividades culturais. Em fevereiro o Curitibano, em parceria com Instituto ICO Project, ofereceu o Curso de Educação Física Especial Adaptada ao Autismo e 10 professores de diferentes esportes tiveram a oportunidade de participar. As equipes dos departamentos de Comunicação e de Cultura foram treinadas sobre representatividade da pessoa com deficiência na mídia e nas artes, comunicação adaptada e na recepção da pessoa com deficiência no Clube.

“Mesmo que a luta do autismo aconteça todos os dias, o 2 de abril é uma forma de lembrar, educar e conscientizar principalmente quem não convive com o autismo diariamente para que ela se torne um aliado e facilitador da inserção dos autistas na sociedade e de garantir os seus direitos”, compartilha Tatiana. A mudança está nas mãos das pessoas típicas, no dever de disseminar informação, de promover a inclusão e condenar o preconceito. “Nós do Departamento de Inclusão trabalhamos para garantir que o Clube Curitibano esteja cada vez melhor preparado e acessível para receber e apoiar as famílias e as pessoas com autismo, bem como pessoas com outros transtornos e deficiências , para celebrar toda a forma de neurodiversidade”.

 


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