Notícias

Com a palavra, o Diretor Financeiro

O recém-empossado Diretor Financeiro do Clube Curitibano, Marco Cravo, fala sobre as perspectivas da nova gestão e como está o cenário financeiro atualmente:

 

Quais são os maiores desafios de administrar as finanças do clube que tem o tamanho de uma cidade?

O maior desafio é a “responsabilidade” de cuidar destes recursos, que pertencem a todos os associados. Mas em termos de gestão é estabelecer controles confiáveis numa estrutura muito grande e ramificada, com volume enorme de pagamentos diários e contratos com fornecedores.

 

Qual é a atual situação do clube?

A situação atual, neste final de 2019, é equilibrada, porém delicada, e o sinal amarelo está aceso. É importante neste momento apresentar e explicar a posição aos associados. O balanço divulgado pela diretoria anterior, com data de 31 de outubro, ou seja, final do exercício social, apresenta um saldo de R$ 13.198.191,37. Pois bem, importantíssimo que o associado saiba que deste total devemos separar o valor de R$ 3.304.427,35, de recursos vinculados a projetos do CBC, Comitê Brasileiro de Clubes. Estes projetos se referem à Lei Pelé – 9.615/98, que tem por objetivo o desenvolvimento de atletas de alto rendimento. Portanto os mesmos têm destino definido e não podem ser utilizados para qualquer outro fim, inclusive são administrados em contas correntes separadas, pois ao término dos mesmos, precisamos prestar contas, e eventualmente, o Clube tem até que devolver quantias não utilizadas, em função de atividades não realizadas. Assim sendo, para a data do fechamento do balanço, devemos considerar que o saldo efetivo era de R$ 9.893.764,02.

Como o Clube não “para”, já existia um fluxo de compromissos e vencimentos “contratados”, de toda ordem, a ser liquidado nos meses seguintes. Em 30 de novembro o saldo já havia caído para R$ 7.574.369,87, e a previsão para 31 de dezembro é de aproximadamente R$ 4.700.000,00, quando se encerra o exercício fiscal de 2019 e seu respectivo orçamento, previsto no final de 2018. A comparação deste valor de R$ 4.700.000,00, com o de 1º de janeiro de 2019, que era de R$ 12.675.916,59, que nos faz acender a luz amarela.

 

Qual é a estratégia para manter as finanças do Clube em equilíbrio?

Para responder esta pergunta, sugiro estabelecermos um raciocínio que nos leve a entender os motivos de um saldo tão menor neste final de ano. Ao longo dos últimos anos o Clube realizou muitos investimentos em infraestrutura em todas as suas cinco sedes, com o objetivo de oferecer mais e melhores atividades esportivas, culturais e sociais aos associados, mas isto levou a um aumento de custos muito grande, pois obrigou o crescimento do quadro de pessoal, manutenção e custeio. Também considerar os próprios valores dos investimentos. Por outro lado as receitas não cresceram na mesma proporção, pois são limitadas basicamente às mensalidades, taxas das atividades e contratos de locação ou arrendamento. Adicionalmente, seus reajustes não vêm acompanhando a “inflação do Clube”, ou seja, os aumentos dos custos de nossos insumos e pessoal, que por exemplo, neste ano de 2019, foram de 11,41%, contra um aumento de 3,05% nas mensalidades no mesmo exercício.

Entendido este raciocínio, voltamos à pergunta: qual é a estratégia para manter as finanças do Clube em equilíbrio? Nosso objetivo é melhorar significativamente esta situação, primeiramente restabelecendo condição de maior conforto e segurança do capital de giro, até a capacidade de realização de novos investimentos. Para tal seremos todos os associados forçados a estabelecer nova postura perante o clube. Por parte da diretoria, assumir com muita austeridade o cumprimento do orçamento previsto para 2020, com trabalho forte na redução das despesas e desenvolvendo formas de alavancar mais receitas. Do quadro associativo, esperamos a compreensão da situação e o engajamento no sentido participar deste processo, pensando no bem comum e visualizando melhores perspectivas para o futuro. No futuro seremos mais fortes e melhores.

 

Quais são os principais investimentos previstos para sua gestão?

Diante de tudo que foi exposto, é até difícil falar em investimentos no curto prazo. Inicialmente vamos priorizar o que estiver relacionado à segurança e manutenção do patrimônio. Passada esta fase voltaremos a pensar em possibilidades como a piscina semi-olímpica da Sede Mercês.

 

O que será mantido e o que irá mudar com relação à gestão anterior?

Acredito que cada diretoria tem seu próprio estilo, então prefiro falar das nossas ideias. Como disse anteriormente teremos que ser muito austeros na gestão dos recursos e cumprimento do orçamento. Percebemos algumas demandas dos associados, como a falta de informações sobre o Clube, assim imaginamos apresentar periodicamente informações gerenciais. Outro ponto importante é uma maior presença da diretoria junto à superintendência e gerências, apoiando e cobrando resultados. A criação de uma controladoria, utilizando a estrutura do departamento financeiro que temos, está em estudo. No mais, dedicaremos muito amor ao Clube.

 

*Entrevista concedida para a Revista do Clube Curitibano – edição de janeiro de 2020

Compartilhe

Veja mais

Fique por dentro das novidades