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Clube Curitibano recebe Geração de Ouro do Vôlei

Medalhista olímpico relembra conquista de 1992

“Eu passei os últimos 27 anos escutando das pessoas onde elas estavam naquele dia 9 de agosto pela manhã.” A frase do ex-jogador olímpico Jorge Edson resume bem a importância da conquista na Olimpíada de Barcelona, no ano de 1992. Naquele domingo os olhos da nação se voltaram às telas da TV para testemunhar ao vivo o feito da seleção de voleibol masculina, comandada por Zé Roberto.

A vitória sobre a Holanda trouxe ao Brasil a primeira medalha olímpica de ouro em esportes coletivos e abriu espaço para uma Nova Era do Voleibol. Quase três décadas após a medalha, a Geração de Ouro do Voleibol volta a se encontrar, e desta vez a reunião será em terras curitibanas, mais precisamente no Ginásio 1 da Sede Barão do Serro Azul do Clube Curitibano. Grande parte do time se unirá, às 15 horas do dia 17 de agosto, aos atletas da equipe master do CC para uma partida que certamente ficará na história. Até lá, que tal conhecer um pouco mais sobre esta grande conquista? Com a palavra, o medalhista Jorge Edson, que atualmente treina os times de voleibol feminino do Clube Curitibano:

 

O time já chegou em Barcelona com a ideia que poderia ser campeão?

Pra falar de Barcelona temos que voltar às semi-finais da Liga Mundial. O foco eram as Olimpíadas, mas como o Zé (Roberto) pegou a seleção em janeiro (de 92), a gente usou a World League como laboratório. Jogamos as semi-finais contra Cuba, Itália, Rússia e os resultados surpreenderam a gente, mas bem mais os outros. Ganhamos várias de 3 (sets) a 0. Ao chegar em Barcelona ainda éramos zebra, mas todos ficaram pensando: será que vão repetir o que fizeram na liga?

 

E já em Barcelona, como foram os jogos?

O mais difícil sempre é o primeiro. Até porque o nosso retrospecto contra a Coreia do Sul sempre foi uma pedra no sapato: ou perdíamos ou ganhávamos em um jogo difícil. Fomos para o primeiro jogo com a faca nos dentes, nervosos, mas foi 3 a 0, sabíamos que precisaríamos passar deste primeiro.

O segundo foi contra a CEI (Rússia), 3 a 0, depois contra a Holanda (vencemos por) 3 a 1. O Salinger (técnico holandês) disse que era isso mesmo (que queriam), o resultado, que fez isso pra cruzar com a gente mais pra frente. Mas depois o resultado não foi bom pra eles (risos).

O mais tenso de todos foi contra os Estados Unidos (semi-final, considerado o jogo que antecipou a final em 92). Mas contra Cuba (eliminatórias) também foi nervoso, o Carlão levou cartão. Vale lembrar que apesar desta geração de Cuba ter batido muito na gente, fora de quadra éramos muito parceiros. Mas foi um jogo bem nervoso, perdemos o primeiro set, mas depois foi 3 a 1 pra gente.

Cada jogo era um parto, mas era uma felicidade também. E nosso jogo em relação aos demais era muito rápido. Eu falo para minhas atletas: ganhar um olimpíada, tudo bem. Mas ganhar e marcar um novo tipo de jogo é diferente, e foi o que aconteceu. Se você for colocar a (seleção) de 92 com as que jogam agora a gente está em câmera lenta, mas na época a nossa rotação era outra, a gente estava em 33 e os outros muito mais lentos.

 

Mesmo o saque do Marcelo Negrão, que fechou a partida, não era comum naquela época…

Não com aquela potência. E foi até legal ter fechado com o Negrão, é uma imagem que fecha, um ataque do fundo, um saque potente. A Olimpíada certamente seria a mesma, mas o fechamento foi maravilhoso! E não teria outra pessoa pra fazer aquilo, aquele menino de 17, 18 anos, que era um expoente entre todas aquelas estrelas.

 

Falando em estrelas, até hoje quem viu esta geração jogar sabe de cor o nome do time…

Quem curte voleibol sabe que o ouro foi um divisor de águas, mas a gente não tem presente e nem futuro se não olhar para o passado. (Antes) teve uma geração talentosíssima, e temos orgulho de ter jogado junto com eles. E a gente sabe que marcou a história pois quando se fala dos melhores jogadores tem sempre alguém desta seleção. Quando se fala sobre o melhor levantador de todos os tempos, por exemplo, se fala no Maurício, (nas outras posições) sempre tem alguém desta seleção que pode ser (considerado) o melhor de todos os tempos.

 

E como foi jogar nesta final?

Estar lá já era bom, mas jogar foi melhor ainda. Eu fui chamado para entrar mais uma vez (além da primeira), no fim do terceiro set. Meu pai nunca soltou um foguete na vida, nesse dia quase matou um gato! São coisas que marcam. Eu passei os últimos 27 anos escutando das pessoas onde elas estavam naquele dia 9 de agosto pela manhã.

 

Quando você foi campeão em Barcelona nasceu um novo Jorge Edson. O que ele falaria para o Jorge Edson lá de 1985, convocado pela primeira vez para a seleção?

Se não fosse o ouro certamente eu não estaria aqui. Mas faria tudo de novo, com todas as dores. Eu diria pra ele que toda caminhada começa com um passo. Não interessa para onde você está indo, se não der o primeiro passo vai ficar no mesmo lugar. E sempre vai valer a pena se fizer com afinco e se for sincero com você mesmo. Você sempre vai receber o que é seu por direito. Eu diria para o Jorge da primeira convocação que ele estava no lugar certo, na hora exata e que não recebeu nada que não lhe fosse de direito. Senso de merecimento. O (técnico) Bernardinho fala muito disso. Todos que estavam lá mereceram.

 

Veja quem já confirmou presença nesta partida histórica:

André Felippe Ferreira, Antônio Carlos Gouveia (Carlão), Douglas Chiarotti, Janelson Carvalho, Jorge Edson, Marcelo Negrão, Maurício Lima, Paulo André Silva (Paulão), Talmo Oliveira e Zé Roberto (técnico).

 

Serviço:

Geração de Ouro do Vôlei

Data: 17 de agosto

Horário: 15h

Local: Ginásio 1 (Sede Baraão do Serro Azul)

Entrada: 1 lata de leite em pó

Informações: Secretaria de Cultura e Esportes (3014-1948)

 

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