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Arte: Jeniffer Gutierres/Clube Curitibano.

Estrelas do Curitibano: Alessandra Marchioro

Com 94 recordes quebrados no currículo e mais de 1.000 medalhas conquistadas até o momento na sua carreira, Alessandra Marchioro é uma das principais nadadoras do Brasil e definitivamente é uma das Estrelas do Curitibano. Mas, além dos resultados históricos, a atleta de 27 anos superou as adversidades durante a sua árdua trajetória, que a fizeram amadurecer como esportista, mas principalmente como pessoa.

Início

A conexão entre Alessandra Marchioro e a Natação não foi planejada, já que os seus pais, Hilton e Mary, não tinham uma relação com o esporte aquático. A aproximação com a modalidade teve início quando Alessandra tinha apenas 6 anos e precisou encarar o seu primeiro desafio: a meningite.

Por duas vezes, Marchioro desenvolveu a doença que comprometeu o seu pulmão e que causou asma e bronquite. Diante disso, os pais a levaram ao médico, que indicou a Natação como ferramenta de estímulo e fortalecimento pulmonar. A partir disso, iniciava a conexão entre Alessandra e a modalidade, sempre com o suporte dos seus pais.

A curitibana começou sua caminhada no esporte na escolinha do Positivo Júnior, mas logo foi para a equipe WS, que era conduzida pelos irmãos Júlio e Walde Wood. Por lá ficou até aos 14 anos, quando decidiu dar um salto na breve carreira e definiu que o Clube Curitibano era o local ideal para isso.

A ida de Alessandra Marchioro ao Clube proporcionou também as chegadas de Júlio e Walde ao corpo técnico e de diversos atletas da WS para a equipe da Natação do Curitibano. “Foi um salto na carreira de todo mundo”, começa Alessandra, que na época estava na categoria Infantil. “Foi uma pausa na WS e um início no Clube Curitibano. Todos precisavam de uma estrutura melhor e uma segurança no trabalho, eu acredito que esses foram os principais motivos para fazer a transferência no Clube”, afirma.

Primeira passagem no Clube

A trajetória de Alessandra Marchioro no Clube Curitibano pode ser definida como transformadora e vencedora. Transformadora porque a atleta atingiu um nível de maturidade e vencedora pelos resultados conquistados em competições nacionais e internacionais.

“Foi onde comecei a me destacar, dar esse início da minha carreira e foi quando as pessoas começaram a me conhecer fora de Curitiba. Tenho vários momentos inesquecíveis, como a minha primeira medalha no absoluto, resultados nas categorias, fui campeã brasileira, recordista, índice técnico, viajei para disputar as competições sul-americanas de categoria, ganhei, bati recorde. Teve o Multination também. Tive uma passagem muito positiva no meu primeiro momento no Clube”, avalia Marchioro.

Mesmo com a coleção de medalhas e recordes como nadadora do Clube Curitibano, mais uma vez chegou o momento de Alessandra dar uma braçada importante visando a carreira como atleta profissional, que exigia um maior investimento. Por isso, aos 19 anos, quando estava na categoria Júnior, a nadadora decidiu sair do Clube.

“Eu precisava também amadurecer um pouquinho, sair das asas do Clube, dar um passo a mais como eu mesma, sem outros atletas por trás. Foi um momento marcante da minha carreira”, lembra.

Período fora do Clube

Entre 2012 e 2018, Alessandra Marchioro passou por três clubes: Fluminense, Botafogo e Unisanta. Nos dois primeiros, apesar de serem equipes cariocas, Marchioro continuou treinando em Curitiba de 2012 a 2015. Durante esse período, Alessandra continuou batendo recordes e conquistando medalhas, com destaque para o bronze no revezamento 4×50 livre misto no Campeonato Mundial de piscina curta disputado em Doha, no Catar, em 2014.

Fotos: Arquivo Pessoal.

Maior desafio da carreira

Novamente determinada a buscar o crescimento pessoal e profissional, Alessandra Marchioro se mudou para Santos em 2015 e defendeu as cores do Unisanta. Na baixada santista, a nadadora com 22 anos na época passou pelos maiores desafios da sua vida, já que pela primeira vez estava longe dos pais, aqueles que sempre deram muito apoio.

“Eu precisava sair um pouco debaixo das asas deles, sair de Curitiba e conquistar a minha liberdade. Saber como era uma Alessandra atleta sem os pais, conhecer esse outro lado da vida”, conta. Em Santos, Marchioro passou por diversos desafios e aprendizados que a fizeram amadurecer como atleta, mas principalmente como pessoa.

“O primeiro que eu tinha essa capacidade de viver sozinha, resolver os meus problemas, tive que assumir diversas situações, por realmente estar sozinha, mas sempre com os meus pais dando apoio em Curitiba”, revela. Também foi no litoral paulista que Alessandra conheceu o seu namorado, Yago Rodrigues, uma figura muito importante até hoje para a nadadora.

Dentro das piscinas, Alessandra Marchioro continuou evoluindo como atleta e recebeu as orientações de técnicos experientes, como é o caso de Arilson Silva, que também era o treinador de César Cielo, campeão olímpico e recordista mundial. Além disso, Marchioro atingiu o status de ser uma das nadadoras mais rápidas do Brasil ao registrar o tempo de 25s10 nos 50m livre, sua melhor marca na prova.

Protagonista nas competições, Alessandra teve o seu desempenho reconhecido e ampliou a sua carreira ao se tornar uma atleta prestigiada dentro e fora do Brasil. Com isso, a nadadora recebeu o apoio de diversas empresas nacionais e internacionais.

Lesões e depressão

A vida do atleta de alto rendimento não é simples, o caminho para a subida ao pódio exige muita dedicação nos treinos, mas também controle mental. O corpo e a mente precisam estar em sintonia para que o esportista possa atingir os seus objetivos. Em um certo momento da carreira, Alessandra Marchioro perdeu essa harmonia.

Em 2016, às vésperas da seletiva para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a nadadora foi diagnosticada com overtraining, problema causado por excesso de treinamento, e também com um início de pneumonia. Longe das melhores condições, Alessandra não conseguiu o índice olímpico e entrou na fase mais delicada da sua carreira.

“Em 2016 teve um momento bem difícil que foi quando surgiu pela primeira vez na minha cabeça a chance de parar de nadar, que foi logo após a seletiva olímpica”, revela. “Fiz a seletiva em péssimas condições e acabei deixando a vaga para os Jogos Olímpicos de 2016 passar pelos meus dedos. Esse foi o pior momento da minha carreira”, lembra.

Os dois anos seguintes continuaram complicados para Alessandra Marchioro, já que atleta não estava em plenas condições físicas por causa das dores no ombro, que a incomodava desde 2013. O auge da contusão aconteceu 5 anos depois, em 2018, quando a nadadora chegou a tirar o braço do lugar durante a disputa do Troféu Maria Lenk.

“Eu tinha que lutar contra essa dor todos os dias, o meu técnico não acreditava em mim quando dizia que estava com dor. Assim, foi muito difícil pra mim porque eu treinava com dor, meu rendimento caiu, os meus resultados desapareceram, eu precisei superar essas adversidades praticamente sozinha, porque quando você não tem o apoio do técnico é muito difícil”, confessa.

Sem perspectiva, Alessandra Marchioro flertou com a depressão e pela segunda vez pensou em encerrar a carreira. “Eu não tinha vontade de sair de casa, de treinar, de comer, de resolver as coisas da faculdade, de sair para passear com os meus cachorros, não acreditava mais no meu potencial”, conta.

Apesar de todos os problemas, Alessandra avalia que o período no Unisanta foi de muito aprendizado. “Foi um caminho no qual eu tive independência, liberdade e foi muito bom para o meu crescimento pessoal e como atleta também, porque eu acho que se não tivesse tido as minhas amizades, o meu namorado e meus cachorros, talvez não tivesse conseguido superar o que eu passei no Unisanta”, exalta.

Porém, depois de quatro anos em Santos, Alessandra Marchioro precisava voltar para casa e receber o carinho dos seus familiares. Além deles, a nadadora contou com o apoio do seu fisioterapeuta Rafael Macedo e do técnico Christian Carvalho, que confiou no potencial de Alessandra e foi um dos responsáveis pela volta da atleta ao Clube Curitibano depois de oito anos.

Volta ao Clube Curitibano

Em fevereiro de 2019, Alessandra Marchioro retornou à equipe de Natação do Clube. “Minha decisão de voltar para o Clube foi necessária pelo momento que eu estava passando. Estava em um estado de depressão, não queria mais nadar, não confiava mais em mim e digo que o Christian foi o meu salvador. O Clube abriu as portas para a minha volta, acreditou em mim como sempre, mas o Christian que abraçou a ideia de voltar a me treinar, mesmo em uma situação complicada da minha vida”, enaltece.

Com o ombro recém-operado, Alessandra Marchioro iniciou o processo de recuperação para o retorno às competições. Apesar das incertezas, a nadadora recebeu o apoio do seu técnico, do fisioterapeuta e do preparador físico, Andrey Paixão Silva, que realizaram um trabalho integrado dentro e fora das piscinas para que Alessandra atingisse a plena recuperação.

“Logo após a cirurgia, eu tive que fazer todo um acompanhamento com o Rafa Macedo para que fosse liberada aos poucos a minha volta aos treinamentos físicos. Os treinos, eu faço com o Andrey, que adapta todos as atividades em relação a lesão do ombro, no qual fizemos todo um fortalecimento. Até hoje eu faço exercícios específicos para o ombro”, conta.

Além da preparação física, Alessandra também tem o suporte de uma equipe multidisciplinar, que conta com as presenças da psicóloga, Flávia Focaccia, e a nutricionista, Cris Carvalho.

“É um cuidado muito regrado que a gente tem, com acompanhamento de psicólogo, que é um dos principais pontos de um atleta. Eu tenho o acompanhamento também da nutricionista que faz parte da equipe junto com o Rafael Macedo, ela tem total influência nos resultados, ajuda muito e é a parte que mais sofro para manter, porque eu gosto de comer”, diz.

Retomada na carreira

Com todo esse suporte técnico e o apoio dos seus familiares, do namorado, dos seus amigos e até mesmo dos seus dois cachorros, Paçoca e Minhoca, Alessandra Marchioro recuperou a sua saúde mental, a forma física e, consequentemente, os melhores resultados nas competições.

A retomada na carreira aconteceu justamente durante a disputa do Troféu Maria Lenk, quando Marchioro foi finalista na sua prova favorita: os 50m livre. “A vaga na final teve um gosto de primeiro lugar. Isso foi importante para eu retomar a minha confiança no trabalho com o Christian’, enaltece.

Mais convicta, Alessandra Marchioro foi uma das protagonista do Troféu José Finkel disputado no Parque Aquático do Clube Curitibano, quando conquistou quatro medalhas. “As medalhas no Finkel foram bem importantes pra mim, porque eu terminei na segunda colocação do ranking nacional dos 50m livre. Uma pessoa que não queria mais nada e que não acreditava mais, voltar a sonhar com a olimpíada e retornar ao topo do Brasil foi bem importante”, comemora.

Sonho Olímpico

Depois de ficar a 0.16s da vaga olímpica em Londres 2012 e dos problemas enfrentados durante o ciclo olímpico para a Rio 2016, Alessandra Marchioro sentiu reacender a esperança de conquistar um lugar nos Jogos Olímpicos de Tóquio, mesmo com o cenário incerto causado pela pandemia de Covid-19.

“É o meu principal objetivo e todas as minhas energias estão voltadas para isso, eu acredito cegamente que vai dar certo. Hoje, eu não me sinto tão preparada fisicamente, porque estou com algumas limitações, mas quando a situação for regularizada e voltar ao normal, eu acredito na minha capacidade”, confia a nadadora, que tem como inspiração dois históricos atletas olímpicos: Michael Phelps e Usain Bolt.

Aprendizado

Diante de toda a trajetória no esporte, Alessandra Marchioro atingiu a maturidade e está mais preparada para lidar com os próximos desafios. “A Natação realmente me ensinou a ser resiliente, o que é construir um sonho e lutar por isso diariamente, independente das adversidades. Ela ensina também a lidar com as frustrações, um atleta de alto rendimento precisa saber muito bem a lidar com isso”, reconhece.

Marchioro também destacou a ética no esporte, que é essencial para o atleta. “Quantas pessoas você vê que para crescer na carreira querem passar a perna no outro e com o esporte a gente aprende a respeitar o adversário. Eu tenho uma frase que é muito boa. ‘Você nunca precisa humilhar o outro para que o outro saiba que você é bom. Se você é bom, as pessoas já sabem’”, afirma.

Essa postura que esbanja profissionalismo e princípios faz com que Alessandra Marchioro seja respeitada e possa compartilhar isso com os nadadores mais jovens que fazem parte da equipe do Clube. “Os mais novos sempre vêm pedir fotos, conselhos, é uma das partes que eu mais gosto no esporte passar um pouco de conhecimento para as pessoas que querem ouvir”, diz.

O Clube Curitibano exalta a pessoa incrível, a profissional competente e segue sempre na torcida para que a nossa nadadora consiga estar presente nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021.

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