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Arte: Jeniffer Gutierres/Clube Curitibano.

Estrelas do Curitibano: Nathalia Gasparin

A protagonista do Estrelas do Curitibano desta sexta-feira, 17 de julho de 2020, nasceu para jogar Tênis. Logo aos 4 anos de idade, a associada Nathalia Wolf Gasparin iniciava a sua trajetória na escolinha da modalidade nas quadras de saibro do Clube. Atualmente, a jovem tenista profissional carrega na bagagem várias conquistas, troféus e muitas histórias.

Mesmo com apenas 20 anos, Nathalia Gasparin já passou por diversos momentos que muitas pessoas da sua geração não vivenciaram, já que a tenista conviveu mais tempo nos aeroportos, nas estradas e nas quadras de Tênis do que em casa. Mas para saber como a Nathalia adquiriu toda essa experiência, é preciso voltar no tempo.

Início

A sua entrada na escolinha de Tênis do Clube Curitibano não foi planejada pela família, ela surgiu de maneira inusitada. Quando tinha 4 anos de idade, Gasparin frequentava o Clube com a sua família e brincava em um parquinho com a sua mãe, Kathia Wolf, quando uma movimentação em uma quadra de tênis próxima ao local de recreação infantil chamou a sua atenção.

“Quando a gente estava no Clube, eu e a minha mãe brincávamos lá no parquinho e eu apontava e dizia que queria jogar aquele esporte da frente, que era o tênis”, revela. A mãe de Nathalia perguntou ao técnico se a filha poderia entrar na escolinha, mas o treinador afirmou que ela só poderia fazer as aulas quando tivesse 7 anos.

Mas isso não diminuiu a vontade de Nathalia de jogar Tênis na escolinha do Clube. Pelo contrário, Gasparin pedia todos os dias para o professor deixar ela começar as aulas e um dia esses pedidos surtiram o efeito desejado. “Um dia, ele me chamou e disse assim. ‘Se você acertar essas três bolinhas, você entrar no time de Tênis’. Eu fui lá, acertei as três bolinhas e comecei a jogar”, lembra.

A partir desse momento, Nathalia Gasparin iniciava a sua trajetória na escolinha de Tênis do Clube Curitibano. Porém, essa não era única atividade da então criança. Além do Tênis, Nathalia praticava Natação nas piscinas do Curitibano e, fora do Clube, participava das aulas de música e pintura.

“Nas manhãs, meus dias eram sempre cheios, eu era uma criança que não parava quieta em nenhum momento, então a minha mãe me colocou em vários esportes e diversas atividades para me entreter”, conta.

Tênis ou Natação?

Por desejo da mãe, Nathalia Gasparin entrou na equipe de Natação do Clube, mas o seu esporte preferido desde o começo era o Tênis. Diante dos dois esportes, Nathalia atendeu um pedido da sua mãe que ajudou na sua escolha pelo esporte de raquete. “Minha mãe sempre falou que eu tinha que aprender a nadar no Clube, entrar na equipe e ficar no time por um ano. Depois disso, eu poderia parar. Eu fiz isso e, quando deu um ano e um dia, eu saí da Natação e continuei apenas no Tênis”, lembra.

  • Mesmo não optando pela Natação, Nathalia sempre recebeu o apoio da sua família. “Meus pais me apoiavam em qualquer esporte que eu quisesse seguir, estavam comigo na Natação e no Tênis. Eles percebeu que eu levava mais jeito para o Tênis, que eu gostava muito mais desse esporte do que da Natação”, reitera.
Trajetória no Tênis do Clube

No Tênis, desde as primeiras aulas, Nathalia Gasparin mostrou que tinha um talento natural para o esporte, já que com apenas 7 anos dividia a quadra com meninas de 12 anos. “No começo, eu sempre perdia, mas chegou um momento quando tinha uns oito anos que não tinha mais diferença, eu sempre me dei muito bem no Tênis. Desde muito pequena, eu levava jeito para a coisa”, afirma a tenista.

Com treinos todos os dias no período da tarde, a atleta se destacou nas atividades, até contra os meninos. Com todo esse talento precoce, aos 10 anos, Nathalia entrou para a equipe de alto rendimento do Clube.

Alto Rendimento

Como integrante da equipe do Curitibano, Gasparin começou a colecionar participações em torneios dentro e fora do Brasil, que proporcionaram diversos momentos inesquecíveis para a atleta, como a participação na Copa Guga disputada em Florianópolis, quando o Clube levou cerca de 30 atletas ao torneio.

“Naquela época, a gente jogava com uma blusa amarelinha, com uma logo do Clube. Eu lembro que a gente viajava e achava um máximo todos com o uniforme do Clube”, revela Nathalia, que tinha 12 anos na época. As viagens deixavam Gasparin meses longe de Curitiba, o que fez ela conviver mais com os companheiros de equipe do que com os familiares.

“Eu sempre viajei normalmente com os mesmos atletas. Com algum deles, eu tenho uma relação de irmão, mas com a Vitória Okuyama se for contar quanto tempo a gente ficou juntas entre as viagens, eu acredito que fiquei mais tempo com ela do que com minha mãe ou com o meu próprio irmão. Então ela se tornou parte da minha família”, exalta.

Com excelentes resultados nas competições, as viagens só aumentaram, já que Nathalia Gasparin representou o Brasil em diversas torneios internacionais. Essas viagens geraram diversas histórias curiosas, como durante a disputa do campeonato mundial realizado no Canadá.

“Uma menina e eu ficamos em uma casa de família, eu não falava inglês muito bem naquela época. Era um problema para conseguir falar o que eu queria comer ou outras coisas, isso foi um perrengue bem engraçado”, lembra.

Encontro com o seu maior ídolo

Entre tantas viagens, uma delas proporcionou para Nathalia Gasparin o encontro com o seu maior ídolo no esporte: Rafael Nadal, tenista espanhol que é 12 vezes campeão do Grand Slam de Roland Garros. O encontro inesquecível aconteceu em uma viagem para Europa com a equipe do Clube Curitibano em 2015.

“A gente fez uma viagem para a Espanha e ficou treinando por duas semanas em Palma de Mallorca, como se fosse uma pré-temporada. Em um desses dias, a gente visitou a academia do Nadal e a gente assistiu ele treinar na quadra com o Richard Gasquet. A gente estava sentado no chão, atrás da quadra, eu me lembro que fiquei tão feliz naquele dia”, lembra com carinho.

Participação na Fed Cup Junior

Ainda em 2015, Nathalia Gasparin continuava sendo figura constante e protagonista nas competições. Nesta temporada, o maior feito foi a conquista do título do campeonato sul-americano júnior defendendo as cores da seleção brasileira. O feito garantiu a participação da equipe do Brasil na Fed Cup Junior, a competição de seleções para menores de 18 anos.

“Nesse torneio disputam apenas os 20 melhores países do mundo. Na competição, a gente jogou no mesmo complexo que é disputado o Masters 1000 de Madri, na Caja Mágica. A maioria dos tenistas profissionais, como Djokovic, Nadal, Sharapova, eles já jogaram esse mundial de 16 anos. Então, esse torneio é muito famoso na Europa e foi uma das experiências bem bacana”, enaltece a tenista.

Título marcante

Dois anos mais tarde, Nathalia Gasparin representou o Clube Curitibano no torneio Rendez-Vous Roland Garros, que garantia ao vencedor uma vaga na chave qualificatória da categoria juvenil do Grand Slam francês. Gasparin superou os seus adversários um a um e, diante de 200 pessoas e da presença do tricampeão do Major, Gustavo Kuerten, o popular Guga, conquistou o título e a vaga para torneio disputado em Paris.

“Rendez-Vous foi uma das conquistas mais marcantes. Quando eu ganhei, lembro que fiquei muito feliz. Roland Garros é um dos torneios que eu mais amo de assistir e é no saibro. Como sempre treinei na terra batida e eu amo o Rafael Nadal, então é um dos torneios que foi um sonho realizado”, exalta a tenista.

Roland Garros

Com o passaporte carimbado para Paris, Nathalia desembarcou na Cidade Luz em maio de 2017. A jovem tenista teve a oportunidade de dividir diversas instalações do complexo esportivo com os jogadores profissionais que disputavam a chave principal do Grand Slam. Diante desse cenário, Gasparin ficou impressionada com a grandiosidade do evento.

“Eu não sabia que era tão grande, porque vendo na TV a gente vê e diz tudo bem, mas você estar lá e ter essa experiência é um máximo”, começa. “Eu tinha o crachá de atleta e poderia almoçar e jantar no mesmo local que todos os atletas profissionais. Eu almoçava e por perto estava o Ferrer [finalista em 2013], o Nadal [maior campeão do torneio], o Wawrinka [campeão em 2015], por exemplo, eles estavam comendo do meu lado e eu achei isso um máximo”, lembra.

Gasparin também aproveitou a oportunidade para assistir alguns jogos do Major francês. “Como tinha o crachá, eu poderia assistir qualquer jogo. Lembro que chegava às 10h no complexo e era a última a ir embora. Ficava igual uma formiga, de uma quadra para outra e assistia todos os jogos possíveis”, recorda.

Dentro de quadra, Nathalia Gasparin apresentou um grande desempenho, mas não conquistou a vaga na chave principal do torneio juvenil de Roland Garros.

Saída do Clube e carreira como profissional

Ao completar 18 anos, em 3 de outubro de 2017, Nathalia Gasparin precisou deixar a categoria juvenil e seguir como profissional. Por causa disso, a tenista saiu da equipe de alto rendimento do Clube Curitibano em busca da melhor preparação para continuar somando grandes resultados, agora como atleta profissional.

Em 2018, Nathalia Gasparin desembarcou no Rio de Janeiro para treinar na renomada academia Tennis Route, comandada por João Zwetsch, ex-capitão da seleção brasileira na Copa Davis. Na capital carioca, Gasparin praticou o esporte ao lado de grandes nomes do Tênis brasileiro, como Beatriz Haddad Maia, Thiago Monteiro e Thiago Wild-Seybold.

Entre fevereiro e setembro, a carreira de Nathalia Gasparin estava a todo o vapor, com destaque para o convite feito por Gustavo Kuerten, que a indicou para jogar na sua equipe feminina, depois de suas as participações nos torneios disputados na Turquia e nas quadras sul-americanas.

Porém, no final de 2018, durante uma competição no Paraguai, a jovem tenista sofreu uma lesão no glúteo médio da perna esquerda, que proporcionou uma forte dor no quadril e a impediu de desempenhar o seu melhor jogo. “Lembro que não conseguia colocar mais a minha perna esquerda no chão, ela estava doendo demais a região do quadril”, revela.

Descoberta do tumor

Após a participação no torneio paraguaio, Nathalia voltou ao Brasil, mais especificamente para Belo Horizonte, para treinar com o famoso duplista brasileiro: Bruno Soares. Em terras mineiras, logo nos primeiros treinamentos, as dores no glúteo médio voltaram e a jogadora precisou fazer um raio-x para saber a gravidade da contusão.

Ao término da radiografia, Nathalia Gasparin descobriu que tinha um tumor benigno no osso do fêmur esquerdo, o que pegou ela e seus familiares de surpresa, já que a lesão não foi causada pela prática no esporte. Em janeiro de 2019, Gasparin retirou o tumor em um procedimento cirúrgico e ficou quatro meses em processo de recuperação.

Fotos: Arquivo Pessoal.

Tênis e estudos nos EUA

Durante esse período, Nathalia Gasparin deu uma pausa na carreira profissional no Brasil e decidiu procurar uma faculdade nos EUA, com objetivo de continuar jogando Tênis e estudar em uma universidade norte-americana.

“Minha decisão foi mais baseada pela minha cirurgia. Quando eu fiz ela, decidi que faria faculdades nos EUA. Eu comecei a procurar faculdade, a trabalhar com um agente que entra em contato com as universidades que tinham interesse, alguma delas mandaram mensagens, etc”, conta Nathalia, que em agosto de 2019 entrou para a Purdue University.

Na universidade localizada no estado da Indiana, Gasparin entrou para a equipe feminina e também começou a cursar economia. “A faculdade aqui é super forte no acadêmico. No Tênis, uma das coisas que me fez vir para cá foi a treinadora, eu me dei bem muito bem com ela, a Laura Glitz já jogou os Grand Slams quando era mais nova”, afirma.

Em Purdue, Nathalia Gasparin recebe todo o apoio financeiro e infraestrutural da universidade, comparada com as melhores academias de Tênis do nível profissional. “No nosso complexo de tênis, a gente tem 12 quadras descobertas e seis cobertas. Então são 18 quadras só para o nosso time, nós somos em nove atletas femininas e 10 tenistas masculinos”, diz a tenista, que completa.

“A universidade paga todo o meu estudo, toda a minha alimentação, todos os gastos com moradia, ganho roupas para jogar e sair da patrocinadora da universidade, também ganho acessórios, raquetes, cordas, etc. É outro nível”, avalia.

Convívio na Universidade

Na equipe que representa a Purdue University nas competições, Nathalia Gasparin é a única brasileira em um time com integrantes de diversas nacionalidades. Apesar das diferenças culturais, a tenista convive muito bem com as outras atletas. “Eu me adaptei muito bem com elas, fiquei até impressionada, mesmo com culturas diferentes, a gente se deu muito como amigas, fazemos a maioria das coisas juntas”, conta.

Entretanto, a comunidade brasileira em Purdue conta com cerca de 100 pessoas, o que facilita ainda mais a vida de Nathalia Gasparin nos EUA. “Eu sou bem amiga de cinco brasileiros, até por coincidência um deles é uma menina que jogava Tênis comigo quando éramos menores, a gente disputava os torneios quando tínhamos 12, 13 e 14 anos, e ela está aqui também, não por causa do Tênis, mas para estudar engenharia”, revela.

Acostumada a viajar para disputar as competições desde os 12 anos, Nathalia Gasparin está acostumada a ficar longe dos seus familiares. “Aqui não é muito diferente, claro que é um tempo mais longe, óbvio que sinto saudade de todo mundo, mas como estou acostumada a fazer isso, não foi uma mudança muito grande”, alega a jogadora, que volta ao Brasil duas vezes por ano, durante as férias de verão nos EUA e para o Natal e Ano Novo.

Nova lesão

Depois de disputar alguns torneios realizados por equipes nos EUA, Nathalia Gasparin sofreu uma nova contusão, agora um rasgo na região do labrum e um desgaste ósseo localizado no quadril. Há duas semanas, a tenista precisou passar por uma severa cirurgia no local lesionado e ficou cinco dias no hospital.

Neste momento, Nathalia está em processo de tratamento da lesão nos EUA e o tempo de recuperação é de 5 meses. “Ainda não posso colocar o meu pé no chão, tenho que ficar deitada a maioria do tempo, uso andador para me deslocar”, confessa a atleta.

Com todo o suporte da universidade, Nathalia Gasparin tem como principal objetivo retornar logo para as competições. “Aqui nos EUA tem a temporada com os torneios contra as faculdades, que começam em janeiro do ano que vem. Eu tenho tempo para me recuperar e voltar a jogar os campeonatos”, afirma.

Gratidão ao Clube

Nos EUA, Nathalia Gasparin lembra sempre o quão importante o Clube Curitibano foi para sua trajetória como atleta e cidadã. “O Clube Curitibano foi essencial para tudo isso, com certeza sem o Clube eu não teria chegado onde estou. Sou muito grata por todas as pessoas que me ajudaram nesse caminho e por tudo que o Clube proporcionou para minha vida”, enaltece a tenista.

O Clube Curitibano também não esquece a trajetória de Nathalia Gasparin nas escolinhas e na equipe de alto rendimento e torce para que a tenista atinja o sucesso, seja dentro ou fora das quadras.

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