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Arte: Jenifer Gutierres/Clube Curitibano.

Importância do uso de máscaras: conversa com Dr. Pedro Murara, médico do esporte

Há cerca de um ano do início da pandemia, as orientações para não disseminação da Covid-19 impostas pelas autoridades de saúde ainda geram diversas dúvidas à população. Entre elas se destacam o uso das máscaras em espaços fechados e abertos para a prática esportiva.

Com objetivo de responder às principais questões sobre o tema, o Clube Curitibano conversou com o Dr. Pedro Murara, médico do esporte do Hospital Marcelino Champagnat.

Confira o bate-papo com o Dr. Pedro Murara:

Clube Curitibano: Qual a importância da utilização de máscara dentro dos ambientes fechados como academias, quadras indoor de Tênis, Padel, Ginásio de Esportes, entre outros, durante a prática esportiva?

Dr. Pedro Murara: A máscara funciona como um filtro, uma barreira de gotículas, principalmente daquelas que saem da boca ou do nariz de quem está utilizando, já que esse item segura essas gotículas que são os maiores transmissores de coronavírus. Então, ao invés de formar uma nuvem de gotículas contaminadas, a maior parte é filtrada e fica dentro da máscara.

Com certeza nos esportes indoor, locais onde a gente não consegue ter uma circulação de ar adequada, mesmo deixando todas as portas de janelas abertas, as partículas não se dispersam com facilidade. Logo, o tempo prolongado em locais fechados frequentados por um certo número de pessoas pode gerar uma carga viral importante.

Além disso, hoje nós sabemos que a Covid pode contaminar pessoas causando poucos sintomas ou até mesmo nenhum, e isso é uma grande arma para a disseminação do coronavírus, porque tem muita gente que não sabe que está portando o vírus, mas está espalhando por causa das gotículas expelidas pela fala, tosse, espirro e respiração. O conselho é que a gente precisa se comportar e fazer o exercício de colocar na nossa cabeça que nós e outras pessoas estamos possivelmente contaminados o tempo todo. Só assim a gente toma os cuidados eficientes para diminuir a exposição e aos poucos ir minando a disseminação do vírus. Só não podemos exagerar neste exercício a ponto de gerar pânico.

C.C.: Quais as orientações para que os associados utilizem máscara de maneira correta?

P.M.: No começo da pandemia, os especialistas ainda discutiam se as pessoas de fora da área da saúde, deveriam ou não usar máscaras, sob argumentos de que quem não teria prática de utilização poderia se contaminar mais usando a máscara na sua manipulação inadequada.
Sendo assim, tem certos fatores que são bem importantes. O primeiro se refere à máscara em si, porque tem alguns tipos que não são apropriadas para o uso, que não são cirúrgicas e devidamente regularizadas pelos órgãos responsáveis no Brasil, como as máscaras caseiras que são feitas em materiais como TNT, confecção em três camadas, etc. Além do material da máscara, o segundo fator importante também é a formatação das máscaras no seu rosto. As mais largas não são adequadas, já que elas têm uma abertura muito grande na área da bochecha ou na base do nariz e permitem que as partículas se disseminem por essas aberturas. Logo, perde todo o sentido usar máscaras com essas falhas, ainda mais se ela ficar caindo, deixando o nariz exposto que faz o usuário ficar ajustando-a o tempo todo, colocando a mão na máscara, etc.

Outro fator essencial é o manuseio das máscaras que é uma fonte alta de contaminação. É preciso ter em mente que essa parte frontal e externa da máscara são partes contaminadas, porque elas têm como função frear possíveis gotículas virais externas à nós. Caso a gente coloque a mão no local, estaremos transferindo as gotículas para a nossa mão, que pode ir para o nosso rosto e depois entrar em nosso organismo. Portanto, o tecido, a forma e o manuseio, sempre pelos elásticos, precisam ser apropriados para que o uso forneça toda a proteção possível do método.

C.C.: Por que é tão importante que os associados também usem máscaras em praças esportivas abertas e durante a prática das modalidades coletivas?

P.M.: Esse é um tema que abre margem para discussões entre autoridades no assunto. Nos esportes praticados a céu aberto, por mais que não seja criado um cenário de concentração viral no ambiente como um todo, mas o falar, o gritar e o tossir podem transferir imediatamente partículas de uma boca para a outra, de um nariz para o outro.

Já na questão dos esportes coletivos, eles envolvem muito contato, principalmente em modalidades como o futebol society e basquete. Há recomendações da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte que orientam o praticante a manter o uso das máscaras durante a prática esportiva outdoor. A Organização Mundial de Saúde fala que para se exercitar não precisaria de máscara, mas é importante ressaltar que essa recomendação serve apenas para quem se exercita sozinho ou em isolamento.

As exceções ficam para as partidas de tênis e semelhantes em formato simples porque tem um distanciamento entre os jogadores e também na natação por causa do tratamento da água. O processo de cuidados com piscina tem o cloro que é virucida, que mata não apenas o coronavírus, mas diversos vírus. As raias também ajudam no distanciamento porque elas separam os nadadores em uma distância de no mínimo 2,5 metros em dimensões oficiais. Contando que não tenham dois nadadores na mesma raia, na borda ao mesmo momento, conversando um com o outro, a troca de partículas oriundas das vias aéreas entre eles será muito pequena e com uma distância adequada para evitar a contaminação.

C.C.: O uso de máscara durante a prática atrapalha e prejudica o rendimento?

P.M.: O uso da máscara influência em alguns parâmetros de rendimento, diminui a potência máxima, aumenta muito a percepção de esforço e há estudos que comprovam que há uma ligeira queda na captação oxigênio. Além disso, há um aumento do trabalho de musculatura respiratória, porque é preciso utilizar mais força para puxar o ar, que faz o praticante utilizar mais a estrutura da caixa torácica devido à resistência física ocasionada pela máscara. Mas é importante ressaltar que não existe prejuízo para a saúde! Muito pelo contrário, a máscara evita uma infecção respiratória e isso é um benefício de saúde.

A utilização é mais desconfortável em exercícios aeróbicos, principalmente quando é preciso correr e fazer exercícios que exigem uma performance tão alta. Porém, eu destaco novamente, isso não causa nenhum prejuízo para a saúde.

C.C.: Quais são as dicas aos associados para que possam se sentir mais confortáveis fazendo exercícios de máscaras?

P.M.: Existem algumas opções. A primeira delas é priorizar a prática esportiva em horários mais frescos, como manhã e noite, porque um dos motivos do desconforto com a máscara é a sensação de calor e de umidade que fica retida na máscara, fatores que prejudicam também a nossa respiração.

A segunda delas é o uso de máscaras que ficam confortáveis no rosto, que não ficam caindo e que não seja necessário o ajuste o tempo todo. A máscara bem ajustada faz o usuário esquecer que está usando, logo o seu cérebro dá uma desviada atenção sobre isso e o exercício é feito de uma maneira mais tranquila.

O terceiro ponto depende dos objetivos do atleta porque a dica é de ajustes no treino. A sugestão é fazer o exercício em intensidades mais baixas, separar um tempo maior para intervalos e, eventualmente para compensar caso esteja alinhado com os objetivos, aumentar o tempo total de cada exercício. Ao invés de correr ou caminhar na esteira por 40 minutos em um ritmo mais forte, o melhor é fazer isso em uma intensidade menor por 60 minutos, isso pode ser uma estratégia para deixar a prática dos exercícios com a máscara mais confortável.

Pensando em exercícios ao ar livre, caso você tenha um local que não tenha contato com pessoas e garanta um distanciamento seguro, o praticante pode retirar a máscara por um breve tempo para recuperar o fôlego, mas o manuseio deve ser feito corretamente e de forma impecável.

C.C.: Quais máscaras são recomendáveis para fazer exercícios físicos?

P.M.: Algumas empresas desenvolvem máscaras com intuito de serem próprias para o esporte. Eu avalio que elas têm uma formatação boa para o rosto, não machucam as orelhas, já que são fechadas atrás da cabeça, fecham as laterais, têm uma respirabilidade boa e o mais importante: elas protegem o praticante o tempo todo. Essas máscaras são boas alternativas porque elas estão regulamentadas.

Outra opção é a máscara cirúrgica. Ela é uma boa escolha por ser leve e tem uma boa respirabilidade, o que afeta menos os quesitos fisiológicos em comparação com as N95, que devem ter seu uso voltado aos ambientes de serviços de saúde. Um fator essencial para quem usa máscaras reutilizáveis é fazer de forma recorrente a higienização dessas máscaras, já que a não higienização correta pode gerar um crescimento bacteriano.

C.C.: Qual mensagem o Dr. deixa para os associados sobre a importância do uso de máscaras?

P.M.: Ao meu ver, depois de quase um ano de pandemia, usar máscara é mais do que uma reflexão pessoal e uma conotação para eu não me contaminar, mas o objetivo é mostrar aos colegas que há uma preocupação coletiva com a saúde, logo precisamos fazer a nossa parte em conjunto. Acredito que não tenha uma pessoa que goste de usar máscara ou optaria utilizar em condições normais, mas isso é um esforço coletivo e precisamos saber que nossas atitudes vão causar segurança e inseguranças nas pessoas que estão ao nosso redor.

Se todo mundo fizer a sua parte, utilizar máscaras, fazer a higienização das mãos, dos aparelhos, respeitar o distanciamento e não retirar a máscara para conversar, todos esses cuidados vão gerar uma sensação de segurança. Isso é fundamental para que as pessoas não abandonem a academia e continuem se mantendo ativos, que são ferramentas importantes para o corpo e para mente. Isso contribui para que as pessoas passem por esse período tão difícil de uma forma mais leve e saudável. Então pensando no coletivo é preciso passar por esse desconforto de usar máscaras, mas que não causa prejuízo.

Mais informações sobre o uso de máscaras nos espaços esportivos do Clube Curitibano estão em nossas redes sociais.


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