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Maio Verde: mês de conscientização sobre a doença celíaca

A doença celíaca é uma condição autoimune e genética que afeta o intestino delgado e interfere na absorção de nutrientes essenciais ao organismo. É caracterizada pela intolerância ao glúten, principal componente proteico do trigo, também encontrado na cevada, centeio, aveia, entre outros. Além disso, essa proteína está presente em uma grande quantidade de alimentos, como pães, bolos, macarrão, salgados, sobremesas, pizza, massas e até mesmo bebidas alcoólicas.

Por ser crônica, a doença celíaca não tem cura, mas ela é a única doença autoimune que não faz uso de medicamentos. O melhor remédio para o celíaco é ficar bem longe do glúten, pois evitando-se o contato com seu agente causador, a doença é controlada e não afeta o organismo.

A família da associada Daniela Correia Millenet precisou enfrentar uma grande mudança para se adaptar à rotina do filho Leonardo Millenet, de 13 anos, diagnosticado há cerca de dois anos. Léo é assintomático e descobriu a condição após exames de rotina, o que levou toda a família a fazer o teste. “Descobrimos que eu e meu marido temos o gene para a predisposição da doença celíaca; herdamos de nossos pais e passamos para os nossos filhos, mas até agora só o Léo desenvolveu a condição”, explica Daniela.

Quem nasce com o gene pode desenvolver a intolerância ao glúten em algum momento da vida, independente da idade, mas ainda não se sabem os motivos que desencadeiam a condição. Estima-se que 1% da população mundial é portadora da doença. São mais de 78 milhões de pessoas; 2 milhões só no Brasil.

Apenas uma em cada oito pessoas consegue o diagnóstico correto, pois a condição acaba por se camuflar atrás dos sintomas de outras doenças, como a intolerância à lactose e a tireoidite de Hashimoto, além de ser assintomática em cerca de 40% dos celíacos no mundo.

Daniela conta que se assustou com o diagnóstico, uma vez que sempre procurou ter uma alimentação saudável e natural em casa, evitando alimentos industrializados e com conservantes. Apesar disso, ela e o esposo, Holger Millenet, procuraram levar a situação com naturalidade. “É um fato. Eu acredito que a forma como os pais encaram o problema, é a forma como a criança vai encarar isso também e seguir adiante”, enfatiza.

Um dos grandes problemas enfrentados por quem é portador da doença celíaca é a contaminação cruzada. O preparo de refeições não pode ser feito em uma cozinha em que são preparados alimentos para não celíacos. Mesmo que as panelas e talheres sejam lavados, ou que sejam utilizados utensílios separados, existe o risco de contaminação. Algumas pessoas manifestam sintomas tão fortes ao ponto de não poderem chegar perto de ambientes que preparam alimentos com glúten, como panificadoras e pizzarias. 

Os sintomas mais comuns são: diarreia, dores abdominais, constipação, náuseas, inchaço, gases, fadiga, e anemia. Muitos celíacos também apresentam sintomas diferentes, como lesões na boca, lesões bolhosas na pele, cansaço, formigamento nas mãos e pés, alterações de humor, dores nas articulações, menstruação irregular e até problemas de crescimento em crianças. 

No caso dos assintomáticos, o cuidado deve ser ainda maior, pois o consumo de glúten pode provocar uma intensa inflamação no intestino delgado, causando uma atrofia das vilosidades do intestino, que fazem a absorção de nutrientes necessários ao organismo. Pessoas com doença celíaca têm um risco aumentado de câncer de intestino delgado, incluindo linfoma e adenocarcinoma.

A família Millenet: Daniela, Cristiano, Leonardo e Holger

Mas na família Millenet, todos levaram a sério o diagnóstico do Léo. “Por causa da contaminação cruzada, eu livrei a minha casa do glúten. Tiramos o trigo, centeio e cevada e, no lugar, entrou uma gama enorme de outras farinhas, como a farinha de coco, amêndoa, arroz e tapioca, além de outras que não contêm glúten”, esclarece.

Orgulhosa dos filhos, Daniela conta que eles aceitam e convivem bem, mesmo com tantas mudanças na rotina de toda a família para que Léo possa ter uma melhor qualidade de vida. “Eles são muito maduros e entendem que toda essa mudança e cuidado é para que eles tenham uma vida longa e saudável”, assegura ela.

A falta de informação sobre a doença faz com que ela não seja levada a sério, conta Daniela: “muita gente vê como frescura ou, pelo fato de a comunidade fitness tirar o glúten em algumas dietas, as pessoas acham que fazemos por opção, mas é uma questão de saúde. Nós aproveitamos o maio verde para poder informar as pessoas, familiares e amigos, e dizer que a doença celíaca existe, ela é séria e real, e se não for tratada, ela mata”, destaca.

Como Léo treina basquete e passa muitas horas nas dependências do Clube, para que ele sempre tivesse o que comer, Daniela preparava as marmitas em casa para trazer. Após  algumas reuniões com o departamento de inclusão, a Adega & Empório Presenza passou a ter opções de refeições prontas, sem glúten e em embalagens fechadas, e tudo isso aprovado pela Associação dos Celíacos do Brasil (ACELPAR). Para não haver o risco de contaminação cruzada, a Adega também fornece um micro-ondas exclusivo para esquentar as refeições dos celíacos.

Mesmo com a compreensão do filho, Daniela conta que a primeira atitude do esposo foi a de dar o exemplo. “Na mesma semana do diagnóstico, ele disse: ‘a gente tem que provar que ele pode tirar da vida dele uma coisa que gosta muito e continuar feliz’. A partir daquele momento, ele decidiu tirar a cerveja da vida dele, e meu marido é alemão, isso é algo que ele sempre adorou. Através desse exemplo, eu acho que o Léo vai se virar bem, porque ele vai pensar nesse exemplo de dentro de casa e saber que ele também pode ser feliz, apesar disso”, completa.

Para conscientizar sobre o tema, Léo criou o perfil do Instagram @leosemgluten, em que compartilha dicas e informações sobre a doença celíaca, além de mostrar um pouco do seu dia a dia e como lida com a condição.

Assista no IGTV do Clube Curitibano um conteúdo exclusivo e conheça mais sobre a história do Léo:

 


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