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Foto: Valterci Santos/Clube Curitibano.

Melhor de todos os tempos treinou no Curitibano

Na primeira parte publicada na revista do Clube Curitibano, você acompanhou o início da trajetória de Emanuel Rego no voleibol de quadra e de areia, os principais momentos com a nossa camiseta e o despertar do sonho para disputar os Jogos Olímpicos. Nesta segunda parte, o associado vai saber como o ex-atleta do Curitibano se tornou o “Rei do Vôlei de Praia” e como foi a sua visita na Sede Barão do Serro Azul para jogar com os alunos do curso da modalidade.

Primeira Olimpíada

No breve ciclo olímpico para as Olimpíadas de 1996, Emanuel trocou de parceiro e começou atuar com Zé Marco, atleta da Paraíba. Formada por jovens atletas, a dupla apresentou um estilo de jogo com muita velocidade e conquistou a vaga olímpica para Atlanta. Com o lugar garantido, o dueto foi em busca de um formato de treinamentos para grandes competições e jogos, mas como a modalidade ainda era muito nova, nada foi encontrado. Isso prejudicou o desempenho dos atletas durante o torneio.

Mesmo com a 2ª colocação do ranking mundial, Emanuel e Zé Marco terminaram a competição em 9º lugar. “O resultado foi uma grande decepção, mas que encarei como muito importante. A primeira lição foi que a gente precisava fazer uma preparação diferenciada para os grandes eventos. Foi um ponto de mudança profissional para a minha carreira”.

A busca por aprendizado

A derrota para os norte-americanos Mike Whitmarsh e Michael Dodd nas Olimpíadas marcou sua carreira. E, por isso, Emanuel foi à procura de mais aprendizado sobre o esporte nos EUA. Ficou por lá durante três temporadas (1998, 1999 e 2000) e aprendeu com os melhores e mais experientes jogadores. “Melhorei meu jogo, os treinamentos, concentração e trabalho psicológico”.

Para o ciclo de Sidney 2000, Manu jogou ao lado de José Loiola e conquistou o seu primeiro título de Campeonato Mundial em 1999, em Marselha, na França. O triunfo fez com que a dupla chegasse como uma das favoritas à medalha, mas a forma de trabalho foi um dos fatores que prejudicou o desempenho da equipe na Austrália.

“Quando eu fui jogar com o Loiola, a gente sofreu porque o trabalho era muito mecânico e profissional, cada um fazia a parte física sozinho e só se juntava na hora do jogo. Logo, a gente era uma equipe muito individualista, mesmo sacando e atacando muito bem, e na hora que precisou do trabalho em equipe, a gente não tinha sinergia”, confessa.

Além disso, a nova fórmula de disputa olímpica também não ajudou, já que a dupla venceu na primeira rodada e ficou quase uma semana sem entrar novamente em quadra, fato que prejudicou no desenvolvimento do ritmo de jogo. “Isso foi prejudicial para a nossa dupla porque a gente crescia conforme a competição”.

Novamente em 9º lugar no torneio olímpico, Emanuel sentiu o golpe de ficar pela segunda Olimpíadas fora do pódio, algo que fez o atleta de então 27 anos entrar no momento mais complicado da sua carreira. “Pensei até em parar de jogar, a gente havia se classificado para o ano de 1999 com sete títulos seguidos. Essa decepção mexeu muito comigo”.

Reviravolta e formação de uma equipe histórica

Ao término dos Jogos Olímpicos de 2000, Emanuel desfez a sua parceria com Loiola e formou com Tande em 2001 a dupla que venceu o Circuito Mundial. Mas foi a partir de 2002, agora ao lado do gigante Ricardo, que Manu procurou ajuda psicológica e formou uma equipe multidisciplinar que ficou marcada na história do voleibol de praia.

“O Ricardo e eu contratamos um profissional para a parte física, um fisioterapeuta e um médico, logo houve um aumento da comissão técnica e também da assessoria que eram só duas pessoas e passou para oito integrantes. Fizemos um trabalho no qual a minha preocupação era apenas dentro de quadra”, explica.

A parceria com Ricardo começou a colher frutos em 2003 quando a equipe construiu a maior hegemonia da história do voleibol de praia masculino. A dupla conquistou por cinco temporadas consecutivas, entre 2003 e 2007, o Circuito Mundial, faturou 34 medalhas de ouro em etapas da competição internacional, ficou com o título do Campeonato Mundial no Rio de Janeiro em 2003, a medalha dourada dos Jogos Pan-Americanos em 2007, venceu quatro vezes o Circuito Brasileiro e atingiu as conquistas mais emblemáticas: o ouro olímpico em Atenas 2004 e o bronze em Pequim 2008.

“A grande virtude minha e do Ricardo era que a gente tinha uma vontade grande de vencer todos os jogos. A gente fez uma preparação de excelência e, além disso, o que muita gente não sabe é que esse modelo de atleta bloqueador mais alto e o jogador mais rápido atrás foi nós que inventamos”, exalta Emanuel, que destaca o título olímpico em Atenas como a conquista que mudou a sua vida e o desenvolvimento do vôlei de praia no Brasil.

“Nós conseguimos motivar muitas pessoas depois da conquista, o número de escolinhas de vôlei de praia cresceu, as quadras apareciam mais na televisão, então a gente criou um caminho para o sucesso dos outros”, afirma Emanuel, que completa. “A medalha de ouro em 2004 mudou a minha carreira porque se eu não tivesse sido bem sucedido naquela oportunidade, talvez eu não tivesse credibilidade para ir a outros jogos”.

Novo desafio

Após dois ciclos olímpicos dominante ao lado de Ricardo, surgiu em Emanuel a vontade de parar de jogar em 2009. O motivo era ficar mais próximo da sua família e da sua esposa Leila, atleta histórica do voleibol de quadra, com quem tinha se casado em 2008. Entretanto, um jovem bloqueador, Alison Cerutti, que jogava com Bernardo Romano, hoje treinador da equipe de voleibol do Curitibano, entrou em contato com Manu e o convenceu de fazer mais um ciclo para Londres 2012.

“Aos poucos, a vontade do Alison e a forma guerreira dele ser vitorioso me encantou. Então houve uma troca entre a gente, eu vim com experiência, desenvolvi um modelo de montagem de equipe e treinamentos, e ele veio com essa vontade que me deixou mais jovem”, declara.

O ano de 2010 foi marcado pela adaptação entre a dupla, mas logo em 2011, Emanuel e Alison dominaram a temporada e conquistaram todos os títulos possíveis: Circuito Brasileiro, Mundial, Pan-Americano e Campeonato Mundial. Pela 5ª vez consecutiva, Emanuel estava entre os melhores atletas que disputaram os Jogos Olímpicos.

Em Londres, a equipe chegou à final diante dos alemães, Julius Brink e Jonas Reckermann, mas depois de uma batalha épica que durou três sets, Emanuel e Alison foram superados e ficaram com a medalha de prata. Assim, o atleta que começou a sua trajetória no vôlei de praia com o apoio do Clube Curitibano conquistou a sua terceira medalha olímpica.

Legado

Para a Rio 2016, Emanuel aceitou o convite para formar novamente dupla com Ricardo, mas a fórmula de disputa da seletiva olímpica prejudicou a equipe e, depois de uma sequência de cinco participações, o curitibano não estaria presente nos Jogos Olímpicos. Porém, os ensinamentos repassados para o seu ex-parceiro Alison foram importantes para que o jogador capixaba conquistasse a medalha de ouro ao lado de Bruno Schmidt. “Eu tenho plena certeza que tudo que fizemos juntos, como sistema de equipe, treinamento, preparação, calendário e programação, ele fez igual”.

Aposentadoria

No dia 29 de fevereiro de 2016, em reportagem exibida no Jornal Nacional, da TV Globo, Emanuel Fernando Scheffer Rego anunciou a sua aposentadoria e colocou o ponto final na sua trajetória como maior jogador de vôlei de praia de todos os tempos. “O esporte criou a minha personalidade e me fez uma pessoa melhor na parte emocional, social, mental e espiritual”.

Transição para a vida fora das quadras

Cinco anos antes de anunciar a aposentadoria, enquanto atingia a maior sequência de vitórias ao lado de Alison Cerutti, Emanuel iniciava a sua transição de atleta para carreira profissional. Em 2011, Manu participou do 1º programa de atendimento ao atleta, projeto desenvolvido pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) que apresentava potenciais atividades para os atletas seguirem ao término da carreira.

O programa contribuiu para que Emanuel criasse interesse em fazer graduação em Marketing a partir de 2012. “Esse processo foi interessante porque eu refleti que poderia ter feito outras vezes, mas não era tão maduro como naquele momento. Então consegui manter o estudo e a parte física e técnica”, afirma Emanuel, que, quando ainda era atleta de voleibol de quadra, prestou o vestibular em três oportunidades para o curso de medicina.

Após se formar em Marketing no ano de 2014, Emanuel buscou mais uma capacitação em um curso de transição de carreira, aulas que o ajudaram a se condicionar no mercado de trabalho. Na sequência em 2016, Manu fez a especialização em Gestão Esportiva no COI e estava pronto para iniciar uma nova fase em sua vida.

“Ao terminar esse curso, apareceu a chance para assumir a gestão e direção dos esportes olímpicos do Fluminense. Esse cargo foi bem bacana porque lidei com diversas modalidades, tive o primeiro contato com muitas delas, e essa transição foi importante porque fiz a gestão de uma entidade privada e tive que lidar com orçamentos. Logo, a minha transição de atleta para uma outra carreira profissional foi feita de maneira leve”. Além do aspecto profissional, Emanuel ficou mais próximo da sua família, já que a rotina de treinos e viagens tinha chegado ao final.

Até o momento, a última função assumida por Emanuel ligada no esporte brasileiro aconteceu em 2019, quando ocupou o cargo de Secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento, do Ministério da Cidadania do Governo Federal. Devido às dificuldades por causa da forma como é conduzida a política brasileira, Emanuel deixou o cargo em junho de 2020.

Apesar do curto período no cargo, o ex-atleta deixou a sua marca na secretaria, com o bolsa atleta e a política de infraestrutura esportiva. “Eu acredito que esses dois legados vão fazer um bem ao longo prazo ao esporte”.

Sempre ativo, atualizado e disposto a ajudar, Emanuel Rego continua na luta para que o esporte brasileiro receba a merecida valorização e reconhecimento. Postura semelhante com a qual demonstrou durante a sua trajetória no voleibol de quadra quando defendeu com muita honra a camisa do Clube Curitibano e quando marcou história nas areias ao se tornar o maior jogador de todos os tempos.

No vídeo, confira como foi a visita de Emanuel ao Curitibano depois de 29 anos:

Principais Conquistas

Voleibol de Quadra – Clube Curitibano

Campeão Estadual e Metropolitano – 1987
Campeão Estadual e Metropolitano – 1990
Conquista da vaga para a Liga Nacional – 1991

Vôlei de Praia

Campeão Olímpico em Atenas – 2004
Medalhista de Prata em Londres – 2012
Medalhista de Bronze em Pequim – 2008
Três vezes medalha de ouro no Campeonato Mundial – 1999, 2003 e 2011
Duas vezes medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos – 2007 e 2011
10 vezes campeão do Circuito Mundial – 1996, 1997, 1999, 2001, 2003-2007 e 2011
Nove vezes campeão do Circuito Brasileiro – 1994, 1995, 2001, 2002, 2003, 2006, 2008, 2011 e 2014/2015

Principais premiações individuais

Voleibol de Quadra – Clube Curitibano

Eleito o melhor atleta do Paraná – 1990

Vôlei de Praia

Eleito para o Hall da Fama do Voleibol – Classe 2016
Eleito atleta da década de 90 pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB), ao lado de Loiola
Tricampeão do Rei da Praia 2004, 2005 e 2008
Eleito o melhor jogador do Circuito Mundial 2006 e 2011
Melhor jogador do Circuito Brasileiro em 2003, 2004, 2008 e 2010
Jogador mais inspirador do Circuito Mundial em 2011, 2012 e 2015
Eleito o esportista do ano do Circuito Mundial em 2005, 2010, 2011, 2012 e 2014
Melhor recepção do Circuito Brasileiro 2008
Melhor ataque do Circuito Mundial 2006
Melhor atacante do Circuito Brasileiro em 1999, 2003, 2006 e 2013/2014
Eleito pelo COB o melhor jogador de vôlei de praia do país em 2003, 2004 e 2011


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