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Arte: Alisson Stasiak/Clube Curitibano.

No Palco do Alcides Munhoz: Drácula, a comédia

No próximo dia 6 de maio, o Grupo de Teatro do Clube Curitibano completa 15 anos. Como parte da comemoração, diversas peças do GTCC serão relembradas toda a segunda-feira no especial “No Palco do Alcides Munhoz”. O primeiro espetáculo em destaque é o Drácula – A Comédia, que ficou em cartaz entre agosto e outubro de 2013 e foi uma das principais atrações do Festival de Teatro de Curitiba, Fringe, em 2014.

O “Drácula – A Comédia” é considerada por muitos a melhor peça realizada pelo GTCC. Nas 36 apresentações, os associados e os não-sócios lotaram o local, com cerca de 160 pessoas em média por atração. O sucesso era tão gigantesco que os atores envolvidos foram tratados como celebridades nos corredores da Sede Barão do Serro Azul.

“As pessoas do Clube me ligavam pedindo o endereço para eu receber os desenhos das crianças, que tenho guardado até hoje”, começa Eric Durelli, Produtor Executivo da peça e intérprete do personagem John. “Na saída, a gente sempre falava com as pessoas, tirava foto, e as crianças vinham com desenho, muitas delas choravam, imitavam as vozes dos personagens. Foi uma época bacana porque parecia que nós éramos atores globais no Clube. Foi um momento brilhante”, exalta Eric.

Mas para atingir todo esse reconhecimento por parte dos espectadores, a peça passou por um processo cuidadoso de criação e produção, liderado por Enéas Lour, diretor, cenógrafo e ator.

Surgimento da ideia

A ideia para a criação do espetáculo “Drácula – A comédia” foi do ator Mateus dal Ponte Toigo, em uma reunião de planejamento para a peça do ano de 2013. Após todos integrantes concordarem com o tema, o processo de estudo e pesquisa foi iniciado no encontro seguinte, quando Enéas Lour reuniu diversas informações sobre a história e os personagens. Foi definido também que Enéas também seria responsável pelo roteiro, com 13 personagens.

Começo da produção

Por causa do acúmulo de funções, Enéas convidou Eric Durelli para a função de Produtor Executivo da peça. “Eu respondi que sim (convite), mas tinha experiência apenas como produtor de televisão. Aos poucos, eu fui pegando o ritmo, graças aos ensinamentos dele. Eu ajudei na compra de materiais e na montagem e pintura do cenário todos os dias”, afirma Eric.

O icônico cenário da peça começou a ser construído com três meses de antecedência. “A gente iniciou a montagem do castelo com pedras, pintava a mão cada pedra. Nós chamamos uma pessoa para montar o cenário, com labirintos embaixo, local onde alguns atores poderiam passar engatinhando, como o personagem do Corcunda e a empregada” revela Eric.

O castelo do Drácula foi uma das grandes atrações do espetáculo, com cuidadosos detalhes como aranhas falsas, teias, quadros e o piano que foi tocado pelo protagonista em cada espetáculo.

Além do castelo, a iluminação foi uma das características técnicas mais destacadas pelos profissionais e espectadores que acompanharam a peça. “A iluminação foi sensacional, parecia que a peça contava a história sozinha, a iluminação seguia cada passo de todos os personagens, cada energia. Por exemplo, se os atores ficassem mais agitados, as luzes ficavam mais avermelhadas. Se eles tivessem pensando em cena, a luz ficava mais azul”, enaltece.

Os demais destaques ficaram com a Maquiagem, que foi desenvolvida por Anna Schoemberger, o Figurino, desenhado por Enéas Louar e caracterizado por Ana Mary Fortes, também Coordenadora do GTCC, e a trilha sonora composta por Marco Duboc. “Uma trilha sensacional padrão Disney. Foi algo que deu um ‘up’ para a nossa produção. As pessoas decoraram a música”, lembra Eric Durelli.

Início dos ensaios

Um mês antes da estreia, toda estrutura do espetáculo já estava pronta, o que contribuiu para qualificar os ensaios, que aconteciam de segunda a sexta-feira. O papel do Conde Drácula ficou com o ator Carlos Valente, que realizou diversos estudos para interpretar o personagem.

“Primeiramente, eu fui buscar na história, na lenda do Conde Drácula. Soube que ela se originou na Romênia, no distrito da Transilvânia. Foi então que eu descobri que ele foi baseado em fatos reais no Conde Vlad Tepes”, inicia Carlos Valente.

“Conhecendo mais a história, eu comecei a pesquisar em livros e filmes. Mas, por incrível que pareça, a interpretação do ator Béla Lugosi e o longa animado Hotel Transilvânia foram as maiores influências que eu tive para o Drácula. A ideia é que fosse uma comédia, mas que fosse o Conde Drácula clássico que era conhecido por todo mundo”, conta.

Carlos Valente também explicou como foi o processo de inserir o Conde Drácula em uma narrativa cômica. “A gente colocou algumas situações patéticas em que próprio Conde passava nas quais os próprios moradores do castelo, como o Corcunda, o Frankenstein, entre outros, acabavam sempre tirando sarro dele, fazendo ele passar por situações constrangedoras”, revela.

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Sequência

Devido ao grande sucesso, uma possível continuação da história foi discutida pelo GTCC, mas o projeto não foi levado adiante. “Antes da peça Sherazade, a gente pensou em fazer o Drácula 2, com uma diferente estrutura dentro de uma pirâmide. O nome seria Drácula 2, a Múmia. O projeto não foi para frente porque muito dos atores não poderiam atuar, eu mesmo não poderia fazer o personagem do John”, confessa Eric Durelli.

Porém, o diretor executivo do espetáculo não descarta que o projeto de continuidade seja repensado no futuro, já que para ele o “Drácula – A comédia” foi a melhor peça que ele atuou e produziu em sua carreira.

Ficha Técnica

Ator, diretor e cenógrafo: Enéas Lour

Assistente de Direção: Eliane Berger

Direção Musical e Composições: Marco Duboc

Direção de Movimento e Coreografias: Ana Fregonese

Maquiagem e Cabelos: Anna Schoemberger

Figurinos e Adereços: Ana Mary Fortes e Enéas Lour

Iluminação: Beto Bruel

Execução de Iluminação: Danielle Régis

Estagiária de cenografia: Manoela Hamati

Cenotécnico/Execução de Cenário: Sérgio Richter

Execução de Vídeo: Lincoln Vendramel

Execução de Figurinos: Maria Lurdes Pupo

Produção Executiva: Eric Durelli

ELENCO – GRUPO DE TEATRO DO CLUBE CURITIBANO

Carlos Valente – O Conde Drácula

Daniele Tempski – Anastázia, a cozinheira do castelo

Eric Durelli – John, o amor de Mary

Mateus dal Ponte Toigo – Frankenstein

Simone Nercolini – Mary, o amor de John

Dulce Furtado – Tia Filomena

Leo Oda – Ighor, o servo do castelo

Alexandre Zeigelboim – Dr. Von Blood

Ana Mary Fortes – Tia Margarida

Mariane Pacheco Braga – Lola, uma das mortas-vivas

Inês Macedo – Tia Lucrécia

Adriana Villar – Papoula, outra das mortas-vivas

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL (GRUPO DO CURSO DE TEATRO DO CLUBE CURITIBANO)

Alessandra Lobo; Denise Losso; Eliza Alegre; Loreena Zanello; Lúcia Zaniolo; Luiz; Guilherme Letti; Manoela Hamati; Marina Mori; Martina Mandic; Maurício Erthal Pereira; Renata Reichmann

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