Notícias
Arte: Alisson Stasiak/Clube Curitibano.

No Palco do Alcides Munhoz: Gran Circo

O Grupo de Teatro do Clube Curitibano completou 15 anos em 2020. Como parte da comemoração, diversas peças do GTCC serão relembradas no especial “No Palco do Alcides Munhoz”. Nesta sexta-feira, 17 de julho, o espetáculo em destaque é o Gran Circo, apresentado em 2008.

O processo de criação da peça com o tema circense é marcada pela quebra de paradigma na arte cênica do Clube Curitibano. Diferente das peças anteriores, como O Corcunda de Notre Dame e Os Alegres Fantasmas do Clube, o espetáculo Gran Circo não contou com as participações de atores e atrizes profissionais, o elenco foi formado apenas por associados que integravam o Grupo de Teatro do Clube Curitibano.

Segundo os relatos da época do diretor e responsável pelo texto original, Enéas Lour, o motivo para adotar essa nova estratégia foi para priorizar o processo criativo do GTCC na elaboração de ensaios dos projetos. Diante disso, os integrantes do grupo realizaram diversos encontros para definir como seria a produção da peça.

Nas reuniões foram executadas as construções detalhadas dos personagens, dos elementos de cena, como adereços, sapatos, perucas, e a trilha sonora, com músicas compostas por Marco Duboc.

Como eram as primeiras apresentações realizadas somente por integrantes do GTCC, os atores e atrizes passaram por um período considerado longo de estudos. Entre eles estavam as oficinas de interpretação, ministrada por Fátima Ortiz, de maquiagem circense, comandada pelo profissional Áldice Lopes, de Clowns (arte do palhaço), liderada por Alex Barbosa e Bruno Karam, e de criação de adereços, lecionada por Ana Mary Fortes.

Enredo

Conhecido por sua genialidade, Enéas Lour introduziu no enredo circense uma característica absurdamente mais poética, ligada ao reconhecido Teatro do Absurdo, que surgiu na década de 1950 na França. A partir disso, mesmo com personagens tradicionais do circo como palhaços, mágicos, equilibristas, animais e trapezistas, o texto apresentou elementos poéticos e românticos.

A trama central gira em torno do triângulo amoroso formado pelo Palhaço Florzinha (interpretado por Felipe Buquera), Eleonora, a bailarina (Sabine Villatore), e Dalton, o Atirador de Facas (Carlos Castro Filho). Era uma história simples de amor platônico entre esses personagens, com uma série de curtas histórias paralelas protagonizada pelos demais personagens do circo, que geraram um pano de fundo para o espetáculo.

Assim, durante toda a peça, sempre aconteciam diversos “números” circenses no picadeiro ou no fundo do palco. Esse formato encantou os associados do Clube Curitibano desde que as cortinas do Alcides Munhoz se abriram para o início da peça Gran Circo.

Criação dos elementos cenográficos da peça

Além do enredo diferenciado, o espetáculo também apresentou elementos circenses desenvolvidos pelos integrantes do Grupo de Teatro. Unidos desde o princípio do processo de produção, os atores e atrizes se reuniram e utilizaram materiais recicláveis para criar os adereços cenográficos.

“O legal dessa peça que todos nós confeccionamos os nossos próprios adereços no Salão Ivaí, sempre com a ajuda do Enéias, da Eliane [assistente de direção], a gente colocou a mão na massa e confeccionamos todos os aparatos e elementos. Foi muito legal porque a gente que fez, o que gerou algo bastante coletivo e muito artesanal. Eu me diverti bastante”, lembra Mateus Toigo, que interpretou o alegre e agitado Palhaço Relâmpago.

Maquiagem e figurino

Intérprete da personagem Palhaça Girassol, Dulce Furtado destacou a criação dos figurinos e da maquiagem. “Os sapatos de palhaços de cada personagem foram desenvolvidos, criados, confeccionados e decorados pelos atores. Os figurinos eram muito lindos todos confeccionados pelo Áldice Lopes, que também fez uma oficina de maquiagem para a gente”, revela Dulce, que completa.

“Então fizemos a oficina, com os materiais, os pincéis, etc. Era tudo desconstruído, não era o palhaço tradicional, um lado diferente do outro, nada assimétrico. As maquiagens e os figurinos eram muito bonitos”, exalta a atriz.

Depois de todo o processo de produção liderado por Enéas Lour e Eliane Berger, o espetáculo Gran Circo teve uma ótima recepção dos espectadores e foi considerado um sucesso.

Leia também:

No Palco do Alcides Munhoz: Da Terra à Lua

No Palco do Alcides Munhoz: Arlecchino Servitore di due Padroni

FICHA TÉCNICA

Texto Original e Direção – Enéas Lour
Assistente de Direção – Eliane Berger
Direção Musical e Composições – Marco Duboc
Iluminação – Beto Bruel
Execução – Daniele Régis
Figurinos e Maquiagem – Áldice Lopes
Cenografia – Enéas Lour
Execução dos Cenários – Carlos Veiga – cedido pelo Centro Cultural Teatro Guaíra
Cláudio Rocha, Mariana Ferreira Netto e Evandro Moreira da Silva
Coreografia da cena do Tango – Jairo Nepomuceno

ELENCO

Felipe Buquera – Palhaço Florzinha
Sabine Villatore – Eleonora – a bailarina
Marco Duboc – Dom Pedro Lufante
Carlos Castro Filho – Dalton, o atirador de facas
Mariana Viaro – Madame Othylia, a cartomante
Ana Mary Fortes – Leonilda, a mulher Barbada
Daniele Tempski – Pyro, a palhaça incendiária

ELENCO DE APOIO EM ORDEM ALFABÉTICA

Adrian Villar – A Palhaça Sueli
Alissa Vardânega – A Noiva Ausente
Anna Martha Silva – A Palhaça Anita
Carmem Lúcia Moraes – A Palhaça Faísca
Débora Fabre – A Palhaça Centelha
Dulce Tramujas Furtado – A Palhaça Girassol
Helena da Veiga Koehler – A Palhaça Calourinha
Mari Haro – O Maestro e a Bonequinha no Trapézio
Maria Teresa Consentino – Iko – A Palhaça Birda
Mariane Pacheco Braga – A Padra e aa Equilibrista
Mateus Toigo – O Palhaço Relâmpago
Michele Gomes Gonçalvez – A Palhaça Francesinha
Simone Nercolini – Habbud, o Ilusionista

Compartilhe

Veja mais

Fique por dentro das novidades