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Saiba como preservar a sua saúde mental durante o confinamento

O período de confinamento é essencial para evitar a disseminação do Coronavírus. Entretanto, o tempo dentro de casa pode ser prejudicial para a saúde mental. Por isso é preciso tomar os cuidados necessários para manter a mente ocupada e saudável durante este período.

Com esse objetivo, a psicóloga do Clube Curitibano, Jessica Lavandoski, trouxe algumas dicas fundamentais que podem ajudar os associados, familiares e amigos a preservarem a saúde mental durante o período de distanciamento social

Clube Curitibano: Quais são os efeitos do isolamento para a mente do ser humano?

Jessica Lavandoski: Somos seres sociais, nós precisamos de outras pessoas para o nosso bem-estar físico e psicológico. Os efeitos da quarentena depende muito como cada um vai encarar. Com o isolamento de restrição de contato social, o mau-estar psicológico pode se instalar, nos deixando mais fragilizados, sensíveis e inseguros. Pode também ter a nossa capacidade de adaptação e reação ao estresse comprometida chegando rapidamente à exaustão, afetando o nosso comportamento, pensamento e, até mesmo, a nossa imunidade.

Ainda podemos ser invadidos pelo pânico de sermos infectados ou então infectar alguém. Esse cenário também pode contribuir para a instalação ou manutenção de transtornos. Porém, para que isso não aconteça, você também precisa encarar o problema como uma oportunidade, ter efeitos positivos se tivermos estratégias para atenuar esse estresse instalado. Alguns como: se conectar mais com você, com seus pensamentos e sentimentos; se aproximar mais de quem você ama; identificar o que você sente e, se precisar, de uma ajuda profissional, o que para muitas pessoas é fundamental.

CC: O que as pessoas precisam fazer para manter o bem-estar durante esse longo período de confinamento?

JL: Primeiro, é preciso ter calma. Ir no seu ritmo, respeitar a sua rotina que agora mudou, é necessário uma nova adaptação que pode levar algum tempo. Também é o tempo de respirar, permitir que os sentimentos surjam e também as inseguranças. Sentir suas emoções, aceitá-las e seguir em frente. Também é importante não fazer todas as tarefas no mesmo dia, não precisa de pressa para realizá-las, porque haverá muito tempo.

Segundo, cuidar do corpo e da mente. Ocupar a mente com outras coisas que não sejam somente notícias sobre o coronavírus. Encontrar tarefas prazerosas que você se sinta bem em fazer, atividades com a família, com os amigos de maneira virtual, com o trabalho e com você mesmo. Enfim, algo que você se sinta satisfeito depois de ter feito. É interessante também criar uma rotina no seu dia, por mais que esteja em casa. Seja criativo com a sua rotina, ter um horário para acordar, para as refeições, cuidar do corpo, fazer exercícios. Não é porque estamos em casa que o nosso corpo não precisa de cuidados. Tirar o pijama, mudar de roupa, se alimentar bem, pensar o que você escolhe para comer, se é benéfico para a sua saúde, ou se você está querendo prazer na comida. Fazer as refeições também é uma oportunidade de atividade prazerosa.

Terceiro, interação social. Conversar com as pessoas que estão perto de você de maneira real, e também conversar com as pessoas que estão longe de maneira virtual. Aqui o importante é que o contato seja mais humano, escutando a voz ou vendo a pessoa pelo vídeo. Isso garante uma sensação de proximidade. É importante a gente se policiar e cuidar com mensagens pessimistas e apocalípticas sobre o tempo que estamos vivendo. Cuidar também com a quantidade que estamos expostos às informações e também com qualidade e a confiabilidade delas. Utilize a internet ao seu favor, tem bastante conteúdo disponível e muito deles interessantes. Neste tempo de isolamento social, os relacionamentos também podem ser estreitados, especialmente com as pessoas que moram com você.

Sendo assim, aproveite a oportunidade para conversar, compartilhar e fazer uma atividade juntos. Mas lembre-se que estamos concentrando toda a nossa energia, os nossos sentimentos e as nossas inseguranças no mesmo espaço. Por isso é necessário usar essa energia e a sensibilidade aflorada em outros afazeres, assim evitando conflitos. Mesmo em um espaço comum, cada um precisa ter o seu espaço, que precisa ser cultivado e respeitado.

CC: Quais atividades e tarefas podem ajudar a distrair a mente das pessoas neste período?

JL: Além das atividades básicas como uma alimentação saudável, sono regulado e atividades físicas, podemos usar a nossa criatividade nas atividades e nos afazeres, ter uma rotina sempre com novidades. Ler um livro, ver filmes, dançar, cozinhar, fazer uma nova receita, escutar músicas que tenham um efeito terapêutico, dedicar o tempo aos filhos e para as pessoas que moram com a gente.

Outra tarefa interessante é sobre a solidariedade. Ajudar o próximo como a gente pode, fazer uma doação, fazer uma companhia virtual, indicar uma informação necessária para quem esteja precisando. Ajudar é sempre benéfico para a nossa saúde mental.

CC: Quais são as dicas de controle mental para as pessoas que têm um histórico de ansiedade, depressão, síndrome de pânico e outros transtornos que estão em isolamento?

JL: Para as pessoas que têm históricos de transtorno, esse é um momento bastante delicado. Nesses tempos é extremamente necessário um cuidado com as informações e o excesso delas. Ler e acompanhar muitas notícias sobre o que está acontecendo faz com que os pensamentos de tensão e pânico sejam recorrentes.

Manter a mente ocupada com outras coisas prazerosas é fundamental. É importante também não se isolar socialmente, mesmo que você esteja sozinho em casa. Procure sempre conversar com alguém, compartilhar sobre a vida e o que você está sentindo. Procure conversar com pessoas otimistas. É interessante também expressar as suas emoções e sentimentos. Pode ser na escrita, em algum vídeo, em formato de desenho.

Se os sentimentos e comportamentos vivenciados estão causando muito sofrimento e não passam, é necessário uma ajuda profissional. Há muitos profissionais atendendo online. É sempre bom lembrar: você não está sozinho, estamos todos juntos passando por essa situação.

CC: Você acredita que será importante as pessoas procurarem por um especialista ao término do isolamento?

JL: Esse cenário é bastante novo. Cada um se adapta e responde a crise de uma maneira diferente. A procura por atendimentos psicológicos e psiquiátricos já aumentaram em razão de todo esse pânico e insegurança que vivemos. E ainda não passamos por todos os impactos da crise. A importância de consultar um especialista se faz necessária quando falamos de qualidade de vida, seja para atenuar sintomas, reestruturação cognitiva e prevenção de possíveis transtornos e sofrimentos.

O ideal, mas não apenas neste cenário, seria trabalharmos com medidas protetivas, com a prevenção de possíveis sofrimentos. Que neste tempo você seja o que der conta de ser, sem cobranças. Que a sua palavra preferida seja cuidado, consigo mesmo e com o próximo.

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