Notícias
Arte: Alisson Stasiak/Clube Curitibano.

Uma viagem pela literatura brasileira

Conduzidos pelo repertório de alguns dos mais importantes escritores brasileiros, os associados do Clube Curitibano viveram uma imersão pelo universo da literatura na primeira edição da Jornada Literária. O evento combinou uma série de leituras e bate-papos online com uma inédita experiência – uma caixa sensorial, composta por textos de autores brasileiros, alguns mimos e propostas de atividades que conduziram a viagem a um repertório de três grandes temas: Fluxo, Liberdade e Amor.

Nos próximos parágrafos, reproduzimos um pouco da experiência de cada um dos dias, convidando você a viajar também conosco pela riqueza da literatura brasileira.

Damas da literatura

Marina Colasanti, escritora, contista e artista plástica, foi homenageada no primeiro dia da Jornada Literária. Nascida em 1937 na capital da Eritreia, a infância nômade de Marina Colasanti a levou à Líbia, depois à Itália e, finalmente, ao Brasil, em 1948. Sua primeira expressão na escrita foi como jornalista, trabalhando no Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro.

De lá para cá, se tornou uma das mais premiadas escritoras brasileiras, em especial pela sua produção infantil. “Eu sei, mas não deveria” foi o texto que ela escolheu para representá-la nessa jornada. Fã de Clarice Lispector, Marina diz que está mergulhada em sua obra. Mas é incapaz de enumerar outros tantos ídolos que influenciam seu trabalho.

“Sou rata de museus. Se eu fizer uma lista de quem admiro, não acabo hoje. Mas em meus livros de poesia, tenho poemas para os meus artistas e quadros preferidos”, conta a escritora. “Ando mergulhada na obra dela. Sendo seu centenário, e eu tendo sido editora responsável pelas crônicas que publicava aos sábados no Caderno B do Jornal do Brasil, estou sendo constantemente convidada para falar dessa autora maior.”

Para homenageá-la, Marina convidou os leitores a conhecerem (ou relerem) “Medo da Eternidade”, crônica publicada originalmente no Jornal do Brasil, em 1970. Quando começou no estilo, aos 46 anos, Clarice já era uma renomada escritora, com livros de romance e contos publicados. Ao lado de Marina, é uma das mais premiadas e reconhecidas autoras brasileiras.

Poesia sobre o que sentimos

O jovem publicitário Igor Pires é hoje um dos principais autores do país, criador de dois dos livros de poesia mais vendidos dos últimos anos. O primeiro deles, “Textos cruéis demais para serem lidos rapidamente”, foi idealizado aos 22 anos e se tornou um best seller nacional.

“Eu tenho ideias malucas. Sou uma pessoa muito criativa, que dou nome para tudo. Um dia, estava no ônibus, em pé voltando na faculdade, depois de um dia horrível. Esse nome apareceu na minha cabeça. Anotei no bloco de notas e pensei: ele é muito bom, preciso fazer algo com isso”, lembrou o autor, durante o bate-papo com os participantes da Jornada.

Foi deste insight que nasceu a página de “textões” do Facebook homônima e, posteriormente, o primeiro de uma série de três livros. Para o autor, o segredo do sucesso da coleção “TCD”, como foi apelidada, está na linguagem. “Acredito que os livros despertaram o interesse dos jovens por essa compreensão de que poesia não é difícil. De que é possível que exista uma linguagem acessível e que fale de temas relevantes, de coisas que sentimos, que alguém sentiu em algum momento”, diz. “Além de um projeto gráfico muito bonito, que combina poesia com ilustrações.”

Para representá-lo na Jornada do Curitibano, Pires escolheu o texto “Além do amor romântico”, publicado originalmente no segundo TCD. Paulista de Guarulhos, Pires diz que sempre buscou na literatura uma forma de mostrar como “grita o mundo”, de escrever e ser escrito. Fã de Beyoncé e Carlos Drummond de Andrade, Pires também tem uma lista de poetas que admira, e que influenciaram sua carreira desde muito cedo. “Lembro de uma época da minha vida que meu grande hobby era tentar decorar os textos da Cecília Meireles. Mais na adolescência, encontrei Caio Fernando Abreu e me senti representado na literatura”, lembra. O Igor de hoje é uma somatória dessa poesia que eu lia muito dos 13 aos 16 anos e de poetas mais recentes.

Fabrício Carpinejar tem mais de 40 livros publicados – e diariamente multiplica sua literatura em pequenos pensamentos escritos em guardanapos, compartilhados pelas redes sociais. Filho de também poetas, o escritor gaúcho escreve sobre a vida e o amor de um jeito intenso e repleto de reflexões.

No encerramento da primeira edição da Jornada Literária, Carpinejar falou sobre escrita, sobre amor, e sobre a “gincana da infelicidade” provocada pela pandemia. “Ninguém quer ficar trancado em casa. Mas reclamar só atrai chato. Me programei para não ficar lamuriando. Não há maior coragem do que a esperança.” Mais do que uma dose de esperança, o poeta ofereceu também “colo” para os confinados.

Sua obra mais recente, “Colo, por favor!” foi lançada no ápice da pandemia e, rapidamente, tornou-se um sucesso. “Ele é um alento no sentido de entendermos que não temos como controlar a vida. Mas sim, as consequências dessa vida dentro de mim. Um colo é um gesto de segurança que a gente só pede para quem amamos.” Foi um trecho desse livro que fala da esperança que Carpinejar escolheu para representá-lo na jornada.

Companhia e transformação

Curitibana, escritora e musicista, Luci Collin transita sobre a poesia, o conto e o romance – e brinca com a liberdade da forma. Para a homenageada do segundo dia de Jornada Literária, o texto é um “encontro com o outro”, com a sua composição de mundo. “Às vezes, parece banal falarmos que a literatura é reveladora, que ela nos abre para novos mundos.

Mas ninguém que tenha sido tocado verdadeiramente, vai abandoná-la’, diz. Ela nos torna mais perceptivos, mais inteligentes e com poder crítico. E mais do que isso, nos surpreende e nos diverte. É uma companhia, uma combinação de muitos estados, em que se exacerba a percepção. E, portanto, com ela nos tornamos pessoas diferentes. Nesse sentido, a literatura não é apenas reveladora, ela transforma”.

Luci publicou seu primeiro livro em 1984, aos 19 anos. De lá para cá, são mais de 20 obras. Também escreveu artigos e ensaios para jornais e revistas literárias e recebeu prêmios de literatura no Brasil e nos Estados Unidos. Na Jornada Literária, ela contou um pouco da sua obra e das reflexões neste momento que considera tão “delicado e difícil” que vivemos. A poesia “Teatro de Animação” foi a sua escolhida para “apresentá-la” aos participantes.


Leia também:

Lista de novos Livros na Biblioteca – Dezembro de 2020

Compartilhe

Veja mais

Fique por dentro das novidades