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Uma viagem pelo Troféu José Finkel | Clube Curitibano


Era uma vez um jovem nadador curitibano, nascido em 1954. Com apenas 14 anos foi destaque dos Jogos Abertos do Paraná. O atleta, que começou a nadar ainda criança no Centro Israelita, era uma promessa para a natação do estado.  Mas, durante os treinos descobriu uma doença, um câncer linfático, que progrediu rapidamente e o obrigou a realizar diversas sessões de quimioterapia. Ele foi eternizado alguns meses depois, aos 17 anos de idade.

Seus amigos resolveram lhe fazer uma homenagem. Com isso, em 1972 nasce o Troféu José Finkel. A competição anual foi criada pelo então presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Berek Kriger. Essa primeira edição foi realizada justamente na piscina do jovem nadador.

Com o passar dos anos, a homenagem se tornou a segunda competição mais importante da natação no Brasil.

(Renato Ramalho, Presidente do Clube Curitibano, fala sobre a importância do Troféu José Finkel.)

A edição mais recente do torneio (2018) foi realizada em São Paulo, no Clube Pinheiros. Reuniu mais de trezentos atletas, importantes nomes da Natação do Brasil.

Confira algumas fotos do Finkel de 2018, por Satiro Sodré/SSPress/CBDA.

Curitiba recebeu o Troféu José Finkel pela última vez em 1985.


1985

(Roberto Clausi Júnior [Tite], ex-atleta de Natação do Clube Curitibano, relembra a competição de 1985 em casa.)

Famoso Finkel do gelo, praticamente inverno Europeu. Para mim foi muito importante, porque 85 foi o Campeonato que eu tirei a minha primeira medalha individual de Brasileiro. Eu fui bronze nos 100m borboleta no meio de grandes feras da Natação Brasileira. E o Curitibano naquela época estava começando a montar uma equipe que foi talvez o divisor, o grande divisor de águas na Natação Brasileira – a presença do Curitibano ali.
85 era uma época totalmente diferente. Nós tínhamos a piscina aberta. Então os treinos de madrugada eram com muita geada naquele gramado do lado da piscina. Era uma época de muita diversão. Uma equipe muito unida, treinava alegre, feliz. Só tenho boas lembranças do Finkel, como Campeonato, como amigos, como local…

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 (Renato Cordani, ex-Diretor Geral de Esportes da CBDA, relembra aquele Finkel.)

Friaca, chuva e psicina descoberta é o que eu me lembro primeiro. Eu tinha 15 anos, estava começando a nadar. Estavam lá vários atletas que tinham ido para as Olimpíadas no ano anterior. Lembro que os revezamentos foram emocionantes. Bastante acirrados.

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(Fernando Magalhães, associado e ex-atleta de Natação do Clube Curitibano, traz algumas memórias sobre o Finkel de 85.)

Não foi o primeiro a ser disputado aqui no Curitibano, mas foi o mais emblemático, né? E tenho certeza que para aquela geração de nadadores, do Brasil como um todo, foi a competição mais fria da história, né? Então era a lembrança assim, o pessoal passou muito frio mesmo. A gente teve outras competições nessa época do ano que não foram tão frias. E nenhuma delas teve como símbolo um gorrinho vermelho, né? Então é uma coincidência muito feliz que traz uma memória afetiva muito bacana para todos os atletas que tiveram a oportunidade de fazer parte daquele campeonato. Quando chegou nesse Finkel, a gente tinha o Ramalho ganhando provas, o Nilton ganhando provas, a Márcia ganhando provas, a Gláucia ganhando provas, em meio a recordistas, a super campeões. Então aquilo abria um cenário de possibilidades e até fazia com que a gente acreditasse, eu né? Agora não falando pelo outros, mas falando por mim, que eu poderia fazer mais. E eu fui para aquela competição com um nível de expectativa tal que eu não consegui reproduzir na piscina. Qual que era o cenário? Essa piscina aqui não era coberta, né? A gente tinha um revestimento em volta da piscina aqui em pedra São Tomé. Tinha uma grade que fechava pelo perímetro. A cabeceira da piscina, ali, tinha uns degraus de concreto. Uma salinha de musculação que a gente fazia musculação. Uma salinha dos técnicos ali que tinha a secretaria de natação. Uma piscininha de 12,5m que era de aquecimento e das aulas infantis do dia a dia, que era isolada do tempo com uma estrutura de madeira com uns plásticos rígidos. Rígidos não, mas grampeados nessa estrutura, né? E para lá, mais ou menos onde tem as colunas do lado de lá, tinha uma outra grade e depois um gramado e ali era o pódio. Então a disposição era mais ou menos assim: aqui a equipe do Flamengo; a equipe do Pinheiros mais para lá, e a equipe do Curitibano do outro lado da piscina.

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(Hilton Zattoni, ex-atleta de Natação do Golfinho, fala sobre suas lembranças de 1985.)

Eu nadei o Finkel de 1985 pelo Clube do Golfinho.  Tinha 17 anos na época. Fez muito frio neste final de semana. O Curitibano tinha uma equipe bastante experiente em relação ao Golfinho. Lembro que o Vasco optou por não vir e que Flamengo, Gama Filho, Pinheiros e Minas Tênis vieram. Havia um grande número de atletas participando.

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(Renato Ramalho, Presidente do Clube Curitibano, comenta sobre o Troféu José Finkel de 1985.)

O mais importante do José Finkel é que ele fez com que a gente acreditasse pela primeira vez que a gente podia chegar lá em termos de resultado. A gente viu então as grandes feras da natação nacional vindo para cá na época: Roger Madruga, Djan Madruga, Ricardo Prado, Rômulo Arantes. Essas pessoas todas eram campeões brasileiros que a gente não conseguia ver, né?!

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Capa Revista Aquática – Créditos: Acervo Fernando Magalhães
Revista Aquática – Créditos: Acervo Fernando Magalhães
Revista Aquática – Créditos: Acervo Fernando Magalhães

Década de 1980

Nos anos 1980 o Paraná começava a se destacar, principalmente em relação aos atletas do eixo Rio-São Paulo. E muito disso foi por conta de uma rivalidade local:

Clube Curitibano X Clube do Golfinho

Segundo Renato Ramalho, Fernando Magalhães e Hilton Zattoni essa rivalidade era grande, porém sadia. O embate dentro da água, fez com que os dois grupos crescessem no cenário estadual e também nacional.

(Joel Ramalho Júnior, ex-Diretor de Desportos Aquáticos do Clube Curitibano, a respeito do desenvolvimento da modalidade no Paraná)

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 (Renato Ramalho, Presidente do Clube Curitibano, sobre a rivalidade CC x Golfinho)

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(Roberto Clausi Júnior [Tite], ex-atleta de Natação do Clube Curitibano, sobre a rivalidade CC x Golfinho)

Havia uma rivalidade sadia e sempre foi muito divertido enquanto atleta, enquanto jovem, pois nós éramos amigos dos atletas do Golfinho. Viajávamos juntos, nadávamos juntos em alguns campeonatos. No fim das contas, foi o combustível para chegar onde chegamos.

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E foi a partir desse embate entre os dois grupos do Paraná que nasceu o mascote do Clube Curitibano:

Créditos: Kleber Edney
Créditos: Felipe Michelena

Renato Ramalho explica que o símbolo do Clube do Golfinho e também a sua metodologia eram o golfinho. Ele era a etapa final, a equipe competitiva do Clube. E até então o Curitibano não tinha um mascote para chamar de seu. Foi então que surgiu o jacaré. Segundo o designer, Felipe Michelena, pareceu o animal oportuno:

Verde, forte, frio, resistente e, principalmente, longevo.

Renato Ramalho: “Nas competições a gente entrava embaixo de um jacaré gigante, como se fosse um dragão chinês. E a gente comprava extintor verde e branco. Abria a boca do jacaré para que saísse a fumaça.”

1989

Será que o novo mascote ajudou a equipe do Curitibano na ótima performance no Troféu José Finkel de 1989?

A competição foi realizada em Santos, no Clube Internacional de Regatas, e, segundo o então presidente da CBDA, Coaracy Nunes Filho, foi um ano de alto nível técnico. Em 89 foram batidos vinte recordes brasileiros.

O desempenho do Clube, deve-se, segundo o ex-atleta do Clube e atual técnico da equipe Júnior de Natação, Christian Carvalho, a uma soma de sucesso.

(Christian Carvalho, ex-atleta do Clube e atual técnico da equipe Júnior de Natação, sobre a performance do CC no Finkel de 1989)

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(Joel Ramalho Júnior, ex-Diretor de Desportos Aquáticos do Clube Curitibano, sobre a forte equipe)

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(Marta Patrícia Bonk, associada e ex-atleta do Clube Curitibano, a respeito dos nadadores do Clube nessa competição)

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(Ismail Fernando Sabedotti, ex-atleta de Natação do Clube Curitibano, sobre o Troféu de 89)

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Os atletas da época explicam que para o Clube Curitibano levar o título de campeão era necessário não só vencer as provas, mas também bater recordes, já que eles davam pontos a mais. E assim foi feito.

O desempenho foi destaque, inclusive, nas páginas da Gazeta do Povo, em 01/07/1989. (Crédito: Acervo Fernando Magalhães)

Clique na foto abaixo para conferir a galeria completa com as fotos da equipe do Clube Curitibano no Troféu José Finkel de 1989:

Créditos: Acervo pessoal Renato Ramalho e Fernando Magalhães

Mas, o final desse campeonato seria diferente.

(Erick Moreno Marques – Supervisor de Desportos Aquáticos do Clube Curitibano, sobre o desfecho do Finkel de 1989)

O sócio do Clube não sabe, muitos atletas aqui não sabem ainda, mas em 1989 nós tínhamos uma equipe do Clube Curitibano super competitiva, e ela estava na disputa para ser a grande campeã do Finkel de 89. Estava liderando o Finkel de 89 quando a competição foi interrompida na última etapa por conta de um surto de meningite. E acabou que essa geração ficou esquecida pelo fato de não ter subido ao pódio pela forma como a competição foi interrompida.

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(Joel Ramalho Júnior, ex-Diretor de Desportos Aquáticos do Clube Curitibano, a respeito da interrupção)

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Créditos: Acervo Fernando Magalhães
(Ismail Fernando Sabedotti, ex-atleta de Natação do Clube Curitibano, ao receber a notícia da paralisação do Finkel)

No primeiro momento o pessoal não acreditou, achou que era uma brincadeira, alguma coisa nesse sentido. Quando a gente se deu conta que aquilo tinha acontecido a decepção foi grande, né?! A gente construiu aquele bolo e faltou colocar a cereja em cima, foi essa a sensação.

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(Marta Patrícia Bonk, associada e ex-atleta do Clube Curitibano, sobre os sentimentos dos atletas do CC)

Foi para todos uma situação um pouco frustrante, né?! Porque a gente já vinha, desde Curitiba, muito disposto a participar dessa competição e estava dando tudo muito certo para o Clube, para a nossa equipe.

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(Christian Carvalho, ex-atleta do Clube e atual técnico da equipe Júnior de Natação, sobre a notícia da interrupção)

E aquilo é uma notícia que até demora para ser entendida. Você tem   que imaginar o Vanderlei Cordeiro, né, correndo na Olimpíada lá, na hora que aquele homem agarra ele e tira ele da maratona. Ele ainda teve a oportunidade de continuar. Mas, ali não. Ali você é cortado. Um dia que é para ser um dos melhores da tua vida, vira um dia de frustração né?!

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Foram vários os esforços para reverter a situação, inclusive depois da volta dos atletas para casa. Joel Ramalho, então Diretor de Desportos Aquáticos do Clube Curitibano, conta que chegou a ligar para os dirigentes dos outros Clubes que estavam nas primeiras posições antes da interrupção da competição. Segundo ele, estava ganho, mas faltou o reconhecimento oficial.

(Joel Ramalho Júnior, ex-Diretor de Desportos Aquáticos do Clube Curitibano, a respeito dos esforços para reconhecer o Curitibano Campeão de 1989)

 


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